29/02/2008

Pleno Quotidiano XI

Cena 9

( rua em frente à faculdade, Gabriella está parada encostada num poste, Marcos chega)

Marcos: -Tchau, Gabi.
Gabriella: - Gabi?
Marcos:- (assustado) ...É.
Gabriella: - Nossa!
Marcos: - Que foi? Não pode te chamar assim?
Gabriella: - Pode. É que eu me assustei. Sei lá, acho que é a terceira vez que conversamos.
Marcos: - Então precisa de intimidade pro apelido.
Gabriella: -Não.
Marcos: - Você está se contradizendo.
Gabriella: - Não importa.
Marcos: - Não mesmo.
( Gabriella joga o fichário no chão)
Marcos: Que foi? O que você tá fazendo?
Gabriella: - Se se contradizer não importa, estou eliminando duas regras que se contradizem. A que diz pra eu ser eu mesma, e a que diz que eu não posso me insinuar pra você.

( Gabriella agarra-o e beijam-se)

Marcos: - Nunca gostei de regras.
Gabriella: - Gosta sim. Diz que não porque não sabe aplicá-las.
Marcos:- (ri) Não conhecia essa sua veia cômica, Gabriella.
Gabriella: -Gabi.
Marcos: - Quê!?

(Gabriella beija-o de novo)

(B.O)

Pleno Quotidiano X

Cena 6

(quarto de Carina, é dia e as janelas estão bem abertas. Carina e Gabriella conversam sentadas na cama)

Gabriella: - Ele tem um "quê" assim....meio de...
Carina: - Arrogante, metido, anti-social?
Gabriella: - Não... É algo bom. Eu gosto!
Carina: -Nossa!
Gabriella: -Ele é meio soberbo.
Carina: - Isso é bom?
Gabriella: -É sexy.
Carina: (ri)
Gabriella: -É mesmo! Tem jeitinho de menino bravinho.Que quando recebe carinho fica um doce.
Carina: - Fica babaca até.
Gabriella:- Ai pára!
Carina:(silêncio) - Resumindo. Você tá enfeitiçada.
Gabriella: - Tô. Mas não vou ficar me insinuando, ele pode achar que eu sou dessas fáceis.
Carina: - Não vai.
Gabeiella: - Claro que sim! Onde já se viu?Eu ficar de frescura com ele.
Carina:- Não precisa frescura.Fale normalmente com ele. Do seu jeito.
Gabriella:- Isso eu já fiz.
Carina:-Ai meu Deus! (pausa) ...Fez , como?
Gabeiella: - Tipo eu cheguei, falei "oi sou a prima da Cá , valeu pelo livro."
Carina: - E ele?
Gabriella: -Agradeceu.
Carina: - Só?
Gabriella: - Sei lá. Só...não lembro! Por quê tanto detalhe?
Carina: - Não imagina como são importantes pra ele. Tenta se lembrar! Ele falou mais alguma coisa?
Gabriella: - Não lembro...Peraí! Lembro sim! Ele fez uma piadinha comigo, tipo, que era pra eu pagar o livro, e depois riu. E eu ri.
Carina: - Deu-se a disgraça.
Gabriella: - Ai credo! Por quê?
Carina: - Isso foi uma piada sem graça. Ele riu pra ver se você ria. Você riu. Isso mostrou que você está interessada.
Gabriella: - Mas isso não é bom?
Carina: - Não. Bom seria se VOCÊ o fizesse rir. Mas de verdade!
Gabriella:- Não compreendo.
Carina: - Resumindo, Gabi, o Marcos gosta de gente IN-TE-RES-SAN-TE.
Gabriella:- E eu não sou ?
Carina: - Não.
Gabriella: - Ai Cá! Bem se vê que você é amiga DELE!
Carina: - (ri) Você é Gabi. Apenas aja na frente do Marcos como...como se estivesse odiando a presença dele.
Gabriella:- (silêncio) ...olha onde fui me meter!
Carina: - É fácil. É só ser simpática com os outros perto dele. E com ele faça uma cara de "oi nunca te beijaria". Ele vai se interessar. Você tem muitas qualidades que ele admira.
Gabriella: Se você diz.
Carina: - Deixe-me voltar à Quotidiano agora.
Gabriella: - Ok. Fique com sua leitura que eu vou tentar vestir meu personagem pra conquistá-lo.
Carina: - Não faça isso. Seja você mesma, só não seja efusiva.
Gabriella: Tá (sai)
Carina: (só, cantando) .. Todo dia ela faz tudo sempre igual...

(B.O)

Pleno Quotidiano IX

Cena 8

(sala de aula, vazia, Marcos na carteira do canto lê um livro, o celular toca)

Marcos: (olha a bina e atende)- Oi Cá.
Carina: - Bom dia amor. Onde você tá?
Marcos: - Na sala de aula. Tivemos aula vaga hoje e eu to aproveitando pra estudar.
Carina: -Você ta bem?Sua voz tá diferente.
Marcos: Tô.Ah...(pausa) Eu tô mais ou menos.
Carina: - Que foi?
Marcos: -Ah Cá...umas coisas aí.Depois eu te falo.
Carina: - Quem?
Marcos: -Quem o que?
Carina: - Quem falou o quê pra você ficar assim?
Marcos: (risos) Haha. Depois eu te conto. Vou acabar com teus créditos.
Carina: -To no serviço, cala a boca e fala.
Marcos: - Cala a boca ou fala?
Carina: - Vai Marcos, cacete.
Marcos: - Lembra da história do fusca?
Carina: - Sim. Você ficou interessado.É isso?
Marcos: - Fiquei.
Carina: (silêncio)
Marcos: (silêncio)
Carina: - ... vai atrás.
Marcos: Fui.
Carina : - E?
Marcos: - Rolou.
Carina: (silêncio)
Marcos: (silêncio)
Carina: - Foi bom?
Marcos: - Foi.
Carina:- Como?
Marcos: - Bom
Carina: -Como, cacete?
Marcos: - Foi...não tem como explicar. Sabe quando acabam com todas as suas defesas?
Carina: - (silêncio) Acho que sim...
Marcos: - Então. Acabou comigo primeiro. Me descobriu. Destruiu minhas barreiras.
Carina:- Tá amando?
Marcos: - Não.
Carina: - Tá.
Marcos: - Não.
Carina: - Tá.
Marcos: -Não sei. Tô. Ou não. Nunca me senti assim antes.
Carina: - Quer de novo?
Marcos: - Não.
Carina: - (silêncio) Esse não me soou sincero.
Marcos: -Ainda bem.
Carina: - E minha prima?
Marcos: - Gosto dela.
Carina: - Isso pareceu sincero também.
Marcos: - Vou pedir pra ficar com ela.
Carina: - Não peça
Marcos: - Afe! Por quê?
Carina: - Não fale nada. Chegue e beije.
Marcos:- Como?
Carina: - Não, ainda não.Espera umas duas semanas de namoro.
Marcos: (rindo) Haha. Só você Cá.
Carina: -(silêncio) Eu sei.Só eu mesma!
Marcos: - Lhe obedecerei.
Carina: - Se me prometer que não fará isso sempre, tudo bem.
Marcos: - Prometo.
Carina: - Vou te deixar estudar.
Marcos: - Isso se eu conseguir.
Carina: - Cuidado com o que parece mas não é Marcos.
Marcos: - Tá.
Carina: - Beijos.
Marcos: - Beijos, amo vo...(Carina desliga).
(Marcos olha pro celular, sorri e volta ao seu livro)

(B.O)

27/02/2008

Pleno Quotidiano VIII

Cena 15

(rua em frente à praça)

Marcos:(correndo) - Gabi volta aqui.
Gabriella:(correndo, à frente) -Vai embora.
Marcos: - Me escuta! Por favor.
Gabriella: Eu te odeio, filho da puta!
Marcos: - Espera!
Gabriella: Mentiroso, cachorro! (pára) Eu te odeio! (os joelhos cedem, e ela cai chorando)
Marcos:(alcançando-na) -Me escuta, amor.
Gabriella: (gritando) Vai tomar no cu Marcos! Pára de me chamar de amor! Eu ouvi! Larga essa sua máscara!
Marcos: (pausa) Tá, desculpa.Agora deixa eu te explicar
Gabriella: -Explicar o quê? Que você me ama sim? Que o que eu acabei de ouvir era uma brincadeirinha sua ? Eu te peguei no flagrante! Eu te peguei falando!
Marcos:- A culpa não é minha, foi...
Gabriella:- Vai dizer que foi seu amigo? Que ele assistiu muita Malhação e tá querendo dar uma de nos separar? Que ridículo Marcos.
Marcos: - Olha. Ele teve interesse em que você ouvisse isso sim.Pode até não ter sido proposital, mas teve.
Gabriella:- Eu quero que ele se foda! Ele não me enganou, você sim.
Marcos: Gabi, deixa eu explicar tudo! Escuta cacete!
Gabriella:(chega muito perto) - Então fala. Fala aqui na minha cara.Diz que é mentira, inventa desculpas.
Marcos: - Eu não vou inventar nada. Eu vou pedir desculpas.
Gabriella:- Mas que distinto cavalheiro!
Marcos: - Gabi, é sério. Desculpa. É fato. Eu realmente nunca te amei.Eu fui um idiota. Eu sou. Eu só quero que você me perdoe um dia. Foi muito bom ficar com você esse tempo. Você não me merece mesmo. Nossos quotidianos não se batem. Eu sou bom demais pra você.
Gabriella:- O quê?
Marcos: - Eu só sinto que tudo isso teve que acontecer.Pra eu ter coragem o suficiente pra lhe dizer isso. Eu não sou digno de você, nem de ninguém. Eu sou o pior tipo de covarde. Eu sou aquele que vai pra luta, mas se alia com o inimigo. Perdão. (chora)
Gabriella: (silêncio) - Você...Você...Você quer o que agora? Você quer me deixar com pena? Você quer que a gente volte é isso?
Marcos: -Não.Não dá certo. Por favor , seja muito feliz e me perdoe um dia. (sai)
Gabriella: - Marcos... Marcos (grita) MARCOS!! Volta aqui. Filho da puta, eu que estou brava, quem tem que dar o fora sou eu! (corre atrás dele)

(B.O)

Pleno Quotidiano VII

Cena 10

(sala de aula, carteiras do canto)

- Você gosta dela.
Marcos: - Sim, por quê?
- A frase foi afirmativa
Marcos: Então, lhe digo: Com certeza!
- Mas você não ama.
Marcos: Por que me pergunta isso?
- De novo.
Marcos: - Então, por que afirma isso com tanta convicção?
- Só falo o que eu vejo.
Marcos:- Tá com ciumes é ?
- Não seja ridículo.
Marcos: - Você não merece metade da atenção que eu dispenso à ela.
- Não mereço. Mas eu tenho.
Marcos: - Em seus sonhos
- Fatos falam mais alto do que sonhos, Marcos.
Marcos:(pausa) - Como assim?
- Você quer mesmo que eu explique?
Marcos: (pausa) - Sim.
- Então se o que você quer é ouvir da minha boca, eu lhe digo...
Marcos: ( interrompendo) - Cala essa boca.
- (silêncio)
Marcos: O sinal já tocou, já tem gente entrando na sala.Vá pro seu lugar.
- Eu sento aqui.
Marcos: -Esse lugar é dela.Você sabe muito bem disso.
- Hoje quem quer ocupar a cadeira dela sou eu.
Marcos: - Não dê nenhum escândalo!
- Jamais.
( Gabriella entra)
Gabriella: - Oi.
Marcos: - Oi.
- Oi
Gabriella: - Roubou meu lugar hoje é ?
- Só por hoje
Marcos: - Senta aqui Gabi. (aponta pra uma cadeira ao lado)
Gabriella:(senta-se) - Qual era o assunto?
- Você.
Marcos:(encara com ódio)
Gabriella:- Por isso que minha orelha queima.(ri)
Marcos:-É brincadeira. Olha a aula já vai começar.

(B.O)

Pleno Quotidiano IV

Cena 5

(sala de aula)

- Dá licença, você que é o Marcos?
Marcos: - Sou sim.
- Oi, eu sou a Gabriella, prima da Carina!
Marcos: -Oi!(pausa) Tudo bem?
Gabriella:-Tudo sim.
Marcos:- Então tá bom
Gabriella:(encara-o)
Marcos:(silêncio)
Gabriella: (continua encarando)
Marcos: (vira-se pra frente)
Gabriella:- (volta a si, e grita) ENTÃO!
Marcos: (vira de volta) Então?
Gabriella:- Eh, a minha prima disse que você reservou o livro pra mim.
Marcos: - Reservei sim, é só passar lá e pegar. E pagar também, claro (risos)
Gabriella:- Uhum (risos abafados)
Marcos:(vira-se pra frente de novo)
Gabriella:- Viu...
Marcos:(voltando)- Oi
Gabriella: -Obrigada.
Marcos: -Disponha.
Gabriella: -Sempre. (sai)
Marcos:- Vaca.

(B.O)

25/02/2008

- Uma pausa no quotidianos-

Caro leitor:

Se você acompanha esse blog há algum tempo, deve ter percebido que minha peça, Pleno Quotidiano, apresenta-se de maneira aleatória. Pedimos a compreensão e a paciência (ou não)
E pra você que chegou agora: se quiser entender, comece lá de baixo com o Pleno Quotidiano I
É isso aí :)

BeijosmeliguemnomeuV3Dolce&Gabana

24/02/2008

Pleno Quotidiano V

Cena 3

(noite, quarto de Marcos, luminárias ligadas)

Marcos:-(entrando) Vem Cá, pode entrar.
Carina:-(logo atrás) Brigada Má.Desculpa ter vindo sem avisar, é que se eu não pegasse essa revista hoje, ia estar ferrada!
Marcos:- Cara, eu juro que nem lembrava que tinha emprestado isso de você.Eu a vi hoje mesmo, eu tava limpando o quarto.Dei até uma lida e ri piscinas com ela.
Carina:-(rindo) Haha, riu do quê?
Marcos:- Tinha uma matéria muito escrota, falando de coisas puritanas e tal.
Carina:- Coisas puritanas? Que matéria?
Marcos:- Uma que falava de alma gêmea, ou algo assim.
Carina:- Ah tá! Eu sei do que você tá falando.Essa matéria se chama "Escolher sem procurar", se eu não me engano.Aliás, o autor dela é...
Marcos:-(interrompendo)...é a pessoa mais decepcionada da face da terra!(ri alto)As coisas que ele escreveu, me mataram de rir.O coitado esperava que as pessoas fossem acreditar nessa baboseira toda, de encontrar a pessoa certa, de se "auto-valorizar" e não sei mais o que.
Carina:- Marcos, você tá agindo feito um idiota.
Marcos:- Eita! Por quê? Não vá me dizer que você concorda com o que ele disse.
Carina:- Claro que eu concordo!
Marcos:- Carina, deixe de ser piegas...
Carina:-(interrompendo) Não é questão se ser sentimental.Muito pelo contrário.Eu tô sendo é racional.
Marcos:- Racional? E em qual sentido?
Carina:- Em todos, droga!(pausa) Veja bem, Má. O que está escrito lá é uma questão atemporal.O tema que o autor levantou é algo para ser discutido e vivido em todas as épocas. Aquele texto só está lá por censura,infelizmente. Reparou na data da revista? É em plena ditadura. Colocaram aquilo lá pra tapar alguma critica ao governo. Mesmo assim, esse texto não é uma receita de bolo qualquer. O problema é que as pessoas não dão valor.
Marcos:- Pessoas como eu, é?
Carina:- Não como você.Mas as que agem do jeito que você está agindo.Eu, por toda nossa amizade, sei muito bem que você não é desse tipo de pessoa.
Marcos:- Por favor.Não cutuque meu passado.
Carina:- Eu não estou falando de nada que passou.Eu to falando do que você é!
Marcos: Como assim?
Carina:- Você é muito mais piegas do que eu, garoto. E não adianta negar. Eu nunca te vi saindo e "pegando geral" por aí.
Marcos:- Isso não mesmo.Mesmo assim, não é questão de se auto-valorizar ou não sei o que mais.Eu não gosto e pronto.
Carina:-Não gosta por quê?
Marcos:- (silêncio)...Tá...Talvez seja porque eu ache besteira fazer isso.(pausa)Olha Cá, eu ri da matéria pelo o que o autor sugeriu, tipo, faz 40 anos que ele escreveu isso e o problema ainda não se resolveu.Pelo contrário, se agravou.
Carina:- Claro! Felizmente, ainda existem pessoas iguais a você.
Marcos:- Sentimentais, é?
Carina:-Não exatamente.Não é que você leve tudo à flor da pele.Eu só sei que você ainda acredita no amor, e acha que pode encontrar a pessoa certa. Alguém que te agrade até nos defeitos.
Marcos:-(silêncio)Alguém que me agrade nos defeitos, é.Pensando bem acho que conheci essa pessoa há umas duas horas.
Carina:- Quem!? Onde!?
Marcos:- (rindo) Ninguém, sua tonta.É que você disse isso sobre defeitos, e a primeira imagem que veio à minha cabeça foi essa.Eu gostei dos defeitos. Achei até engraçado o jeito rabugento.
Carina:- Má, seu maldito! Me conta!
Marcos:-Num é nada Cá, já disse.(pausa)Olha lá. Achei a revista! Estava em baixo daquela pilha de roupas.
Carina:-(pegando a revista) Organizado como sempre.Enfim.Deu minha hora, já são quase 8 da noite.Tenho que dormir cedo, que amanhã é dia de viagem.
Marcos:- OK, amor.
Carina:-(beija o rosto de Marcos) Tchau, querido.Pensa no que eu te disse.Se esses defeitos de agradam, parte pra cima.Ou então, fique de boa e espere outro amor chegar.Falando em chegar, você reservou os livros pra minha prima?
Marcos:-Reservei.
Carina:- Obrigada, então.Vou nessa com a Quotidiano.(balança a revista) Beijo Má!(sai)
Marcos:-(só e cantando baixo)...Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar...

(B.O)


22/02/2008

Pleno Quotidiano IV

Cena 1

(quarto de menino.Iluminação média)

Marcos:(só) -Tá na hora de ir.(vê o relogio) Ah não.É daqui a pouco.(olha o quarto) Que zona! Melhor dar um jeito nisso tudo.
(toca o telefone)
Marcos: Alô?
- Oi Má.
Marcos:-Fala Carina! Tudo bem?
Carina:- Tudo.Viu, você tá indo pra faculdade?
Marcos:- Estou. Eu tenho que pegar os nomes de uns livros que preciso comprar.Por quê?
Carina:-Não, é que eu ia pedir um favor pra você.Minha prima tá vindo de outra cidade, sabe?
Marcos:-Sei.Você comentou algo comigo.Ela vai fazer jornalismo também né?
Carina:- Então. Ela vai fazer jornalismo, e eu precisava que você encomendasse os livros já pra ela.É que não vai dar tempo dela chegar e correr atrás dessas coisas.Você pode fazer isso pra mim?
Marcos:- Posso, posso.Acho que é só dar o nome dela na livraria né.
Carina: - Acho que sim.Ela se chama Gabriella da Silva.
Marcos: Tá.Gabriela da Silva.
Carina:- Com dois "l" o Gabriella tá.
Marcos: Certo.
Carina: Brigado Má.Tenho que desligar.Beijão.
Marcos: Beijo Cá.(desliga)
(observa o quarto, e começa a arrumar.Pega uma revista velha e vê)
Marcos: Quotidiano. Com "Q" ?Caraca, isso deve ter uns 30 anos no mínimo.'xo ver.(olha a contra-capa) 1968! Como será que isso veio parar aqui!?(abre a revista e lê um artigo em voz alta)
Marcos:(lendo) - ...a maioria das pessoas acreditam que existe o conceito de Alma-Gêmea.O fato é que cada ser-humano está predestinado a encontrar alguém que , de fato, corresponda a grande parte de suas expectativas.Nossa juventude acredita que a maneira de procurar pela pessoa certa, é tentando com o maior número possível de alternativas.Eis o grande erro.Os jovens estão perdendo o amor próprio."Saindo" na mesma semana com mais de uma pessoa.Promovendo festas, reuniões, "brincadeiras dançantes", e tudo mais que seja desculpa para flertar com o maior número de pessoas possíveis. E não são só os homens que partem na conquista.As mulheres também se desvalorizam.
Marcos:(gargalhando)- hahahahhaa que cocô cara! Se a pessoa que escreveu esse artigo estivesse viva hoje, ia estar se descabelando. Com certeza o mundo não é mais puritano como queriam.Vamo vê o final.(lendo)
E você, jovem leitor? Você perdeu o amor próprio, ou ainda se valoriza? Faça uma reflexão e pense se não deixou o verdadeiro amor ir embora.
Marcos: (silêncio)...que babaquice.(silêncio)...Pra que refletir?(longa pausa)...tô atrasado.
(sai)

(B.O)

Pleno Quotidiano III

Cena 13

(praça,depois da aula)

- Me diz. O que você estava falando com ele?
Marcos: - Nada.
- Nada não duraria tanto tempo assim.Vocês estavam muito concentrados no assunto.Pode falar, eu não ligo
Marcos: - Liga sim.
- Olha, você acabou de dizer que me ama. Não faz nem uma hora. Não precisa ter segredo pra mim.
Marcos: - Não é questão de segredo.É só que tem coisas que é melhor não serem ditas.
- Ta querendo me deixar mais curiosa né. Fala, meu.
Marcos: - Desculpa. Foi algo muito inútil.Eu quero esquecer essa conversa.
- Só me diz. Era de mim?
Marcos: - Não. Em momento algum seu nome foi citado.
- (silêncio)Então tá bom.Desculpa ser tão intrometida.Mas é que o jeito que vocês estavam conversando, sei lá.Pareceu-me um assunto muito importante, ou algo do tipo.
Marcos: -Pode até ter sido importante.Só que eu já esqueci. No momento a coisa mais importante pra mim é você.
- Tá bom então
(beijam-se)
Marcos:- Eu te amo.
- Você é um fofo.

(B.O)

Pleno Quotidiano II

Cena 2

(rua,um fusca parado em cena,iluminação de dia)

- Oi, você pode me dar uma informação?
- Sim.
- Onde fica a Avenida da Saudade?
- Olha, você virá aqui e vai por trás, não suba na primeira que é contra mão, pegue a terceira, dê a volta na praça e desça.É lá.
-(pausa) Valeu. (vai saindo com o fusca)
- (pausa) Eu to indo pra perto de lá agora. Me dá uma carona que eu te mostro direitinho.
-(longa pausa)...sobe aí.
(sobe no carro)
- Você é de onde?
- Rio.
- De janeiro?
- Não! Rio Tietê.
- Êta! Desculpa.
- Magina, a ironia sai às vezes. Vira aonde agora?
- Na próxima.
- Pra que lado?
- Direita... não! Esquerda, esquerda!
(o carro vira bruscamente)
- Porra! Prestenção, meu. Quase atropelei uma velha.
- Foi mal, tava destraido.
- Olha, sua função aqui é me dizer o caminho, nada mais que isso.
- Já falei, foi mal!
(silêncio)
-Dê a volta nessa praça agora.
(silêncio)
- Quantos anos você tem?
- Nossa! que pergunta retardada!
- Pára o carro, vou descer.
- Tá, desculpa.Tenho 23, porquê?
- Só pra saber.É que eu te dava menos.
- (risos) Sério? Quantos?
- Uns 18, 19 por aí.
- Minha cara é tão mais jovem assim?
- Não...é seu jeito mesmo.Meio, você sabe.
- (tom ameaçador) Não, não sei! Meio o que?
- Jovial.
- Jovial! Que porra e essa! Ta me chamando de criança é, pivete ?
- Se você quiser entender assim. E pivete nada, não sou tão mais novo que você. Tenho 18 e já estou na faculdade.
- Mimimimimi já estou na faculdade mimimimi, grandes coisa! Eu também estou e não fico me vangloriando.
- Vêm cá, você sempre acorda de ovo virado assim é? Não precisa de tanto nervo. Agora desce essa rua.
- Desculpa. É meu jeito. Às vezes eu ataco, mas não estou sentindo raiva.
- Se você diz...Bem, estamos aqui! Avenida da Saudade. Olha, minha faculdade é ali (aponta).
- Ah é? Eu to indo pra lá fazer a minha matrícula. Vou me mudar aqui pra essa cidade.
- Poxa, que legal! Que curso você vai fazer?
- Jornalismo, e você?O que faz aí?
- Estou no primeiro semestre de Jornalismo! Pô, vamos estar na mesma classe!
- Legal! Agora você pode descer do meu carro que eu tô com pressa. ( sai )
-(saindo do carro) Tudo bem, Império da Educação.
- Qual tem nome, brother?
- ...Marcos. E o seu?
- (vai saindo) Espera eu responder "presente" na chamada!(sai)
Marcos:- (só) ...eis o cotidiano...(sai pra outro lado)

(B.O)

21/02/2008

Pleno quotidiano I

Cena12

(Lanchonete, luz baixa. Discutem em pé próximos de uma mesa)


-A culpa foi tua!
-Minha? Por quê !?
-Eu te disse pra parar de riscar meu braço daquele jeito.
-Eu tava zoando, cacete!
-Não interessa. Não entende que é você abrir a boca que chama a atenção? Mandaram a gente sair, e agora?
-Agora nada, ué! E que mania de botar a culpa em mim! Você deu escândalo também!
-Claro! Você gritou comigo.
-Gritei merda.Cê gosta é de aparecer, isso sim.
- Teu cu!
-Gosta sim, não vem dizer que é mentira.Você gosta que lhe notem acima do seu palquinho.
- Largue mão, o atorzinho amador aqui é você!
- Sou mesmo, pelo menos eu assumo!
- Assume é , bixa!
- Sua infantilidade ainda consegue me impressionar.Impressionante!
-Cala a boca.(aproxima-se)
-Cala você (encara bem de perto)
(beijam-se)
-Te amo.
-Quem era infantil aqui mesmo?

(B.O)

19/02/2008

"Eu sou quieto"

Eu já tomei o ônibus das seis e meia um tanto irritado sem saber com o quê.Pelo menos meu ponto é um dos primeiros, isso me dá bastante lugar pra sentar.O ruim é escolher, sei lá, parece que sempre me arrependo da escolha mais tarde.
Hoje não foi diferente.
Primeiro dia de aula pra muitos,faz o povo querer colocar o assunto em dia.Eu não tinha ninguém pra conversar, e mesmo se tivesse, duvido que me deslocaria em troca de um diálogo.
Passando pelo próximo bairro de classe baixa, sobe muita gente.Sempre é assim.Fazendo jus ao fim das férias ficaram lá conversando.Como estava em silêncio,não pude deixar de ouvir:
-Oh lá Ricardinho,-dizia um cara em pé no corredor- resolveu voltar né (risos).Tamo na mesma classe.
-Ah voltei memo mano,- Ricardinho responde - mas cê ta ligado que o baguio é de respeito agora né.
Ricardinho estava em pé bem ao meu lado, o excesso de gente no ônibus fazia com que ele constantemente raspasse seu orgão sexual no meu ombro.Isso me irritou.
Continuaram o papo, e percebi que todos tinham mais de 20 anos, e brincavam um com o outro por isso. Deu dó de um tal de Cabeção que repetira o terceiro ano pela quarta vez, e com vinte e cinco anos ainda não tinha saído da escola.
Enfim, fiquei mais calado do que já estava e caminhei em direção à faculdade.É irritantemente distante esse trajeto,fiquei formulando um novo percurso para o ônibus, mas dei-me conta do egoísmo em tal pensamento.Em cinco minutos estava lá.
Entrei na sala e não cumprimentei ninguém.Me sinto estranhamente bem e popular fazendo isso.Um cara lá que eu sempre converso me disse bem assim aí:
-Oi né! Tudo bem!
-E ae,- respondi -tudo sim.
Ele então, com uma expressão "por que será que ele chega e não cumprimenta ninguém", disse me:
-Posso te dar um abraço?
Respondi com um amável sorriso, aceitando sinceramente a idéia:
-Claro!
Levantou-se do lugar e abraçou-me então.
Com o passar do tempo perceberam uma diferença na minha "cara de sempre".Eu adoro que me notem, principalmente quando estou quieto.É que sempre se acostumam a ouvir minha voz.Na falta dela, me expresso muito mais do que com palavras.Fiquei mais feliz na faculdade do que no ônibus.Na faculdade me notaram por estar calado, sem contar que a ausência de um pênis esfregando em seu ombro é muito prazerosa.
No intervalo perguntaram o porquê de tanto silêncio.Eu disse assim:
-Eu sou quieto.
Depois de soltar essa frase, pensei sobre o assunto.Minha conclusão foi: "Sou quieto o caralho".Murmurei essa frase baixinho antes de entrar na sala.
Voltei pra aula e falei mais daí.Mesmo assim, eu estava quieto.Os sons saiam, os pensamentos formulavam.Só que o que realmente sou, não estava em nenhuma frase que saltava da minha boca.Agora virou praxe.Já me perdi, e vi que nem no cotidiano estou me achando.
Portanto, enquanto eu não achar algo que seja realmente útil para ser dito, algo que traduza meu ser em palavras
Eu sou quieto.

Abdico

Acaba...
Brilhantemente seus vícios viram pó, varrido pra debaixo do tapete.
E então você percebe que tudo aquilo um dia formulado fora em vão.
Que suas escolhas não foram as corretas, como imaginado.
Que seu prazer encima do sofrimento de quem ama e do constante sigilo são obsoletos e cruéis.
Começa...
A jornada pela anulação de seu próprio "ideal" fajuto, algo que não é grande o suficiente pra tomar as rédeas de sua vida, contudo não é pequeno a ponto de ser ignorado.
Caem as máscaras, caem os desejos caem as vontades , caem as amizades, e no fim sobra apenas o velho tapete solitário.Divorciado de toda poeira que um dia escondera.
E te ligam, te convidam, e tem que estar presente.Calmo, ativo e com um copo de cerveja sorrindo na espuma.
E tudo o que você quer é fugir, gritar alto longe dali, será um egoísta assim , mas quem se importa? Afinal de contas a "vida é uma só e devemos aproveita-lá ao máximo". Muitos vivem sobre esse quesito libertador, certo dia me atrevi, mas percebo hoje que se evoluímos a tal ponto, é porque em determinado momento deixamos nossas vontades de lado e falamos com o racional.
Abdicar é uma faca cravante.
Abdico!