27/02/2009

Distant Worlds



Enquanto Edgard saía para trabalhar, contemplava o céu e as formas abstratas púrpuras de mexilhão de nuvens. Edgard sabia que no mundo distante do seu Alice olhava o mesmo céu... com outras gravuras, outras vontades, outros gritos pitorescos de imagens naturais próprias desse mundo, ainda sim de mundos diferentes.
Alice sentada no meio fio olhava carro por carro à medida que chiava baixo pela demora do ônibus. Forçando a vista para discriminar o número 11 do 14, sem querer olhou o alto da ladeira, e de lá viu o horizonte, e do horizonte o céu, e do céu as nuvens. Pensou em Edgard e no mundo dele, no desconhecido mesmo mundo dela.
Alice conheceu Edgard por carta. Sim, por carta. Certo dia, o rapaz comprou um produto bem cretino de uma empresa longe - bem longe ... em outro estado! - e ao notar o mal funcionamento mandou uma carta para a empresa; muito mal criada, diga-se, na qual reclamava de sua aquisição. Truque do destino é que Alice era vizinha da tal empresa, e Edgard confundiu o número do endereço da empresa "11" com o "14" da casa de Alice. O fato é que a moça não gostou nada do que lera e mandou a represália para o destinatário, dizendo que o azar era dele por comprar de um lugar tão longe e que tivesse mais discernimento entre onzes e catorzes.
A tréplica do moço foi seca: "Desculpa moça louca do 14... PS: Não quero gastar mais selos com você, meu e-mail é blablabla@mimimi.com". Jogada de mestre, aliás! Vai que a moça fosse potencialmente bonita. E era. E danou-se!
Internet sendo um céu azul-bebê-orkut, cheio de nuvens imaginárias! É um céu vazio, talvez até de cor, que a gente pinta como quer. Eles pintaram-se, completaram-se um ao outro, ao bel prazer. Da maneira que acharam que devia ser tal detalhe um do outro. Riam quando acertavam, surpreendiam-se positivamente quando erravam. Eram dois seres na frente de uma máquina sem entender nada de si mesmos. E por estarem ambos nessa busca incessante pelo "eu", encontraram o "eu e você". É , de certa forma, o que acontece com as pessoas que se conhecem em presença física, só que com a diferença de pintarem-se um ao outro com a cor da própria paleta.
Edgar entrou no trabalho, Alice foi para a escola. Pensavam no distante amor às vezes, e tão mais às vezes isso era bom, e tão tão mais às vezes isso era ruim. O futuro para eles era a maior incógnita, tal qual a distância que teriam que percorrer para se verem, se tocarem... se amarem!
Dois mundos tão distantes, morando no mesmo mundo, intersecando-se, compondo-se. No fundo, no fundo mesmo, só sabiam de uma coisa: mais do que serem distantes, eram mundos!

20/02/2009

Meme.

A Lívia Brito, do Mera Distração, é uma fofa e me mandou isso aqui. Lembra aqueles questionários de caderno, lembra também aquela corrente de e-mails que eu e meus chegados amigos internáuticos respondemos. Achei o nome meio esquisito, e demorou pra sacar de quê se tratava, mas taí, pra quem se interesse por mim:

1. A última pessoa com quem falou hoje: Não sei, conta internet? Estou falando com a Marília e o Tiago no msn – pra variar – mas se for no âmbito físico (?), foi minha irmã.

2. A última coisa que falou: “Saicu”. Sim, isso é sério, temos um relacionamento todo embasado em carinho e palavras sutis.

3. O último pensamento: “Coo! Preciso postar alguma coisa... Acho que vou pegar aquela prova de Crônicas que fiz na aula de Leitura e Redação semestre passado e passar aqui... Meme? Vou ter que mandar um barato assim igual? Ufa! Aquela prova AINDA é meu ultimo recurso!”

4. A última pessoa com quem brigou: Na boa? Não sei mesmo. Eu brigo com as pessoas todo o tempo mas nada que não volte ao normal, acho que acostumaram-se comigo! Se for briga de porrada, saí no tapa uma vez com um otário que mora na rua de cima aqui, acho que eu tinha 14 anos...

5. A última pessoa com quem se reconciliou: O Clayton, mas não estávamos brigados.

6. A última pessoa que falou de Deus pra você: William P. Young, e o fato de eu ter que ler um livro pra “ouvir” sobre Deus me faz sentir saudades do Tih. Oi Tih!

7. O último lugar que você gostaria de estar: Qualquer um que me deixasse só.

8. O último filme a que assistiu: Um que passou na Record ontem de um tenista Inglês apaixonado por uma Americana, achei tão babaca.

 9. O último livro que leu ou está lendo: Estou lendo A Cabana de Willian P. Young (entendam a 6 agora), e preciso ler trezentos e cinquenta e oito até julho.

10. O último presente que ganhou: Um postal da Mandy, lá da Holanda, a foto é de um monte de camisinhas penduradas no varal. GENTE???

11. A última coisa que gostaria de estar fazendo: Não faço idéia, sério.

12. O último telefonema feito ou atendido no seu celular ou telefone: Uma tentativa da Marília de falar comigo no meio da aula ontem,  e três toques da Bárbara, eu atendi, caiu.

13. O último conselho que deu e pra quem deu: “Na boa, vá pra Cerquilho no Carnaval” E acho tendência se jogar no povão e fazer o “average”.

14. A última vez que chorou e por que: Faz um mês e pouco... Crises existênciais. A próxima tá prevista pra semana que vem, durante ou depois do Carnaval.

15. O que faria hoje se fosse seu último dia de vida: Escreveria e contaria a todos o que se sente ao saber disso.

Então é isso, minha gente, nunca consigo dar respostas objetivas ou construtivas. Mas  fica ae a intenção.Ah! Vou tenho que indicar mais três! ( Sei que na verdade são quatro, mas sou RBD não sigo los demas)

Tiago Faller, do Eclesiastes;

Marília Monteiro, do Uma Coca quente;

Mariana Souza, do Nona, ordinal feminino para nove.

 Fui.

11/02/2009

Posso contar um segredo?


Parando pra pensar:
Tenho um ótimo emprego;
Estudo em um curso que me condiz;
Tenho amigos que eu amo e me amam;
Minha família é minha base;
Sinto admiração e amor reciprocamente por uma mulher.

*
Pensando sem parar:
Meu emprego afoga-me em revolta;
Meu curso me deixa vazio;
Eu dependo demais dos meus amigos;
Minha família consegue me irritar;
A mulher está muito longe geograficamente.

*
Sem parar e sem pensar:
Sinto-me bem com o emprego, mal com o que passo lá;
A faculdade me acrescenta, mas me sufoca;
Meus amigos são minha base, e estou em queda livre;
Minha família é meu reflexo, ou vice-versa;
Deus teve um propósito em me colocar aqui e a ela lá.

Qual é meu conceito de felicidade?

04/02/2009

Tanto Forte

Cassiana amava João.

Mas amava tanto, tanto e tanto, que não o conhecia.
O amor que ela tinha por ele era forte, forte tão forte que a cegava.

João amava Mariana.

Mas amava tanto, tanto e tanto, que a odiava.
O ódio que ela tinha por ele era forte, forte tão forte que não o fazia viver sem ela.

Mariana amava Raquel.

Mas amava tanto, tanto e tanto que transava com ela.
O tesão que ela tinha por ela era forte, forte, tão forte que a fazia o papel-higiênico escorregar.

Raquel amava Lídio.

Mas amava tanto, tanto e tanto que era casada com ele.
O companheirismo que ela tinha por ele era forte, forte, tão forte que os dois tinham um filho.

Lídio amava Lucas.

Mas amava tanto, tanto e tanto que era um pai curuja.
O sentimento que ele tinha por ele era forte, forte, tão forte que o desesperava ver seu filho morrer.

Lídio amava Pinóia.

Mas amava tanto, tanto e tanto que comprava pó dele todo dia.
O vínculo que ele tinha com ele era forte, forte, tão forte que ele começou a dever e foi baleado.

Pinóia amava Cassiana. 

Mas amava tanto, tanto e tanto que tentou conquistá-la
A paixão que ele sentia por ela era forte, forte, tão forte, que fingia que seu nome era João.