24/01/2012

Hierarquia de sentimentos

Às vezes eu me pergunto se dentro dos sentimentos existe uma certa hierarquia. Algo como uma escala, que mensura qual tipo de sensação lhe fará sofrer mais e menos. O que é besteira da minha parte, porque nem tudo cabe padronizar. 

É aí que eu entendo o conceito de subjetividade.

É quando você compreende o que é sofrer tanto que parece que não cabe mais dor dentro de você, mesmo que fisicamente não exista um arranhão. O choro é como se fosse um túnel estreito por onde se dá vazão às melancolias confinadas a sete chaves dentro do peito. Quanto mais velhos ficamos, mais aprendemos a domar estas dores. Constrói-se uma dura parede em volta daquilo que já enjoamos de sofrer. Gasta-se muito esforço, pra tentar viver sem tentar se preocupar. Mas basta um pequeno empurrão, um gatilho oculto, uma coisa que vem de onde e de quem menos se espera e que faz com que tudo aquilo guardado volte à tona e que você sofra com coisas que não faz mais sentido sofrer e chore pra compensar tudo aquilo de novo.

Se eu pudesse fazer uma hierarquia, eu colocaria a compreensão como um sentimento bom, ou melhor, como um sentimento essencial. A compreensão é além do amor, porque aquele é a parte racional deste. Faz parte de uma fronteira entre a objetividade e a subjetividade, é quando a gente gosta tanto de uma pessoa que fazemos força o suficiente para pararmos e pensarmos nos motivos dela.

Consequentemente, a incompreensão ficaria lá embaixo na minha lista. Pois é aí que mora o problema: o ódio, oposto do amor; cega completamente sua capacidade de entender o outro, e então você constrói aquela mesma barreira que contém o sofrimento, e vai jogando tudo de ruim que há. Simplesmente por não querer, simplesmente por não amar. "Odeio porque odeio".

Mesmo assim, ainda que se nutra um sentimento negativo, quando se volta a incompreensão ao outro é algo mais plausível. A hierarquia de sentimentos encontra no seu limbo, no fim do fim, na maior tristeza que pode existir, a incompreensão própria. 
É não se gostar e não se entender tanto... até passar a se odiar.