31/03/2010

Brio epifânico

Qual é a sua?

A minha é do choro, 
do cantar da alegria,
da dúvida e do fracasso.
A minha aplaude em pé
e cai ao chão quando sofre.
A minha é alvo de outrem:
das línguas, das mãos,
das mentes malvadas
dos corações puros.

A sua não sei,
mas a minha é da dúvida,
da pertinência e até
da ambiguidade.
A minha não tem moldes, 
desenha o próprio.
A minha é covarde, 
como tem de ser.
E se enche de coragem,
aleatoriamente.

Desconheço o tempo da sua
porque o da minha não tem,
migra, evolui, sai de si
volta pra casa e chora.
A minha cresce e aprende
conquista e demora
Ela é drama e tragédia
romance e ação
suspense e terror
só que principalmente
comédia.

O amor da sua, quem sabe?
O da minha existe,
ainda que eu duvide, 
ainda que não percebam,
ainda que vacile,
ainda que permaneça,
ainda que evapore...
O amor da minha existe
e ama cada um que merece
e até os que não.

Ainda não sei sobre sua honra
Da minha pareço bem saber.

19/03/2010

Alterego e queísmo.

         Mudei.
         E não sei analisar sobre qual ponto de vista esta mudança é positiva. Absurdamente intenso foi dado fato, que – sem margem para dúvidas – ouso até concluir ter mudado mais em um ano do que já houvera em outros vinte, por mais contrário às leis exatas da matemática elementar que pareça. Outrossim, não levantaria da cama de um jeito bem mais forasteiro do que os que estava acostumado. O ar que inalo já possui densidade diferente daquele respirado em tempos áureos, não que tais tempos tenham de fato esvaecido.
         O que já experimento outrora não o tinha, portanto as conseqüências infligem danos e constroem vivencias bem mais peculiares do que as antigas. No entanto, isto não me torna excêntrico de forma alguma; todo mundo está aqui pra mudar. Tudo o que percebo é que meus costumes não são mais tão tradicionais como eram, minhas reações não são mais tão compadecidas, e que, mesmo assim, não sofro por isto.
         Desconsiderei, ou apenas deixei passar batido, o peso das escolhas em minha rotina. A paciência de longe é meu forte, a responsabilidade idem; paralelamente eu decidi brincar de ser adulto, então um ano inflou meu ego o suficiente pra perceber como isto é chato.
         Não obstante, o futuro a Deus pertence – o que é de conhecimento popular e verídico – e como se não bastasse, não tenho controle algum de meu destino, de minhas ações ou de minha palavra rude proferida quando algo sai do meu planejado.
Cresce tanto em pouco tempo, muda tanto num espaço comprimido, ademais não consegue alterar o que sempre lhe prejudica: humano mutante limitado.