31/12/2012

O ano de viver perigosamente.

Vivere pericoloso é o que diriam os italianos, ou até um romance que conta um trecho da história da Indonésia. Foi por aí que me interessei em "Year of Living Dangerously" da "Scissor Sisters", uma de minhas bandas favoritas. Simplesmente porque ela descreve tudo o que 2013 deve ser de acordo com os meus planos. A letra fala por si.


  "Year Of Living Dangerously"

Tell me what does it mean to be faithful?      Diga-me o que quer dizer ter fé?
Is a heart only made for beats?                   Um coração só foi feito para bater?
Just another word for painful?                     Somente outra palavra para o sofrimento?

So I try to slow down, the brake’s broken.    Então eu tento ir mais lento, o freio quebrou.
There’s no way to jump out of here,            Não há modo de pular fora daqui.
All these conversations unspoken...             Todas essas conversas não ditas...

So I keep searching                                  Então eu continuo procurando
For everything I’ll ever be.                         Por tudo que um dia ainda serei.
Never seem to learn                                  Nunca pareço aprender
What I can hardly ever see.                       O que eu posso dificilmente ver.

This is my life, this is my dream,                  Essa é minha vida, esse é o meu sonho,
This is my belief, it’s my fantasy,                 Essa é minha crença, é minha fantasia
I still haven’t found what’s gonna set me free          Eu ainda não encontrei o que me deixará livre.
This is my year of living dangerously             Este é meu ano de viver perigosamente.

Now I can’t turn around:                             Agora eu não posso voltar:
What’s done is done                                   O que está feito, está feito.
There are words that you can’t take back      Existem palavras que você não pode retirar
When you say them to someone                   Quando as diz para alguém.
(What’s done is done)                                (O que está feito, está feito)

Now you sound like a Redwood falling           Agora você parece uma árvore caindo
With nobody around to hear,                      Com ninguém em volta para ouvir,
I’m out of here you’re stalling                      Eu estou fora daqui e você despenca.

When I’m standing on the freeway               Quando eu estou na estrada
With my hair blowing in the wind,                 Com o meu cabelo soprando no vento,
Maybe one day soon I’ll make it                   Sinto que talvez algum dia eu chegue lá
Where I’ve never been                               Onde nunca estive antes

Ain’t gonna stop for nobody, no one             Não vou parar por ninguém,
Ain’t slowing down it’s not my problem now    Nem ir devagar, não é meu problema agora
Ain’t nothing left you can sell me, tell me       Não há mais nada para você me vender, dizer.
I’ve done my best, aw feet don’t fail me now  Fiz o melhor, que meus pés não falhem agora.



Feliz 2013!

22/12/2012

Um sentimento é um filho.


A um sentimento eu atribuo características humanas. Pelo menos aos meus sentimentos, não posso falar pelos outros.
Estou dizendo especificamente do amor em sua concepção, gestação e parto. Isso acontece o tempo todo, do mesmo modo que o tempo todo nasce gente no mundo. Não alcancei a marca dos 7 bilhões porque eu ando trabalhando - não sei por quanto tempo - com a linha de ser seletivo. Só que pessoas abandonam recém-nascidos todos os dias por aí, até alguém encontrar e dar o nome de Vitória; e é nessa metáfora que ando seguindo com os meus amores: eles nascem mas eu não pego pra criar. O preço do leite da liberdade tá caro. Ainda mais que uma coisa que tenho dificuldade é de sair da minha zona de conforto, daí vou abandonando vitórias até que sejam encontrados por outras pessoas por aí.
O caso é que esse sentimento/criança eu resolvi alimentar, deixar crescer. Tá na minha cara que vai dar trabalho, basta olhar por aí o quanto pais reclamam de criar os filhos. Eu tinha ignorado por um bom tempo essa vontade de levar adiante, mas me desestabilizei, confesso, por vontade própria.
O risco que você me faz correr é o maior em toda a minha vida. E me faz sentir vivo! Intensamente com uma corda bamba, é a sensação de adrenalina e pavor que uma mãe tem ao deixar seu filho adolescente sair de madrugada: "Será que chega? Será que tá bem, que tá vivo?" Isso é apavorante, eu sinto a cada dia que tudo pode ruir.
Depende de mim ou não continuar alimentando este amor, para ele chegar na fase adulta. O problema é saber se lá eu ainda serei reconhecido apenas como um pai.


17/12/2012

Adeus ano velho.

Já podem encerrar 2012. É verdade... eu deixo de cortesia esses 10, 15 dias que faltam. Foram tantos acontecimentos emblemáticos que tá me deixando até com preguiça me preparar para outros. 

Tudo vem para selar, tudo vem para colocar um carimbo de "taí algo que comprove" E esse ano foi assim: eu me apaixonei e desapaixonei, mais de uma vez por mais de uma pessoa; fui tentado, subjugado a agir contra meus princípios e só não cedi por estar muito feliz com o lugar que já cheguei; hoje mesmo quase joguei tudo pro alto em nome de arriscar algo que claramente não traria futuro; fiz amizades, das mais variadas, pessoas que significam coisas opostas para mim: gente que chegou para me mostrar outras perspectivas no profissional, bem como os que surgiram para me mostrar o que é a vida sentimental; presenciei muitas cenas, fiz parte de uma plateia bem seleta, com o prazer de ver o autoconhecimento surgir e perceber como lidam com isso; adquiri novas vontades; consolidei novos e velhos sonhos; fui (o que eu considero) eu mesmo o tempo todo, doesse a quem fosse, não fiz (tanto) tipo e me sentia feliz deitando a cabeça no travesseiro; por essas e por algumas que esqueço no momento, encerrem logo este ano.  

Tem uma ou duas coisas que me resta fazer - unicamente para cumprir agenda - mas de resto, pode ir embora e que venha the year of living dangerously. 

29/11/2012

TILT!

Desta vez não tem alegorias nem prosopopeias. E olha que nunca ousei tomar semelhante atitude em meus textos. Eu quero escrever como eu mesmo, sem personagens, sem enredo, tempo ou espaço.

Eu quero me derramar em palavras como se fosse esta a única solução para amenizar a angústia; como se em mim escrevendo e vocês lendo estivesse a resposta. Explicar tão bem o que eu sinto e o que eu preciso que eu sentisse em meu coração uma mão puxando aquelas ervas-daninhas que brotam do cimento nas calçadas, do tipo que a gente puxa e fica surpreso com o tanto de raiz que tinha por debaixo da terra. 

Precisaria que cada palavra traduzisse o mais ínfimo do meu ser à medida que restabelecesse a ordem nas coisas aqui dentro. Eu nem sei se isso é bom, não faço ideia se o texto vai ser bem feito ou agradável. Ele precisa fluir pelos meus dedos tocando o teclado como sempre foi. 

Um dos melhores conselhos que eu já recebi foi o de deixar de ser tão arredio, permitir que as pessoas me fizessem feliz. 

Uma das melhores definições que eu ouvi foi a de que a pessoa perfeita, com tudo o que você imagina e do modo que você quer, existe... existe dentro da sua cabeça e é lá que ela vai morar pra sempre.

Eu já ouvi que tem segredos que guardamos até de nós mesmos, e essa minha mania de ser o rei da transparência só vai me causar mais sofrimento.

Eu já ouvi que quando eu tiver um relacionamento, eu preciso definir muito bem o que eu entendo disso, porque seguir adiante com algo que não se tem intenções de ser eterno é leviano.

Eu já ouvi que eu sou uma pessoa incrível. Eu estava sendo abandonado, mas ouvi.

Eu já falei muita coisa também, mas infelizmente estas eu não gravo. O peso das palavras só pende no ouvido alheio e nunca na nossa garganta. Para se libertarem elas são como balões de gás hélio subindo goela afora, e quando encontram o alvo transfiguram-se numa bigorna em direção aos tímpanos.

Por lembrar tanto do que ouvi, esquecer tanto do que falei e não encontrar tanto o que eu nem sei se quero, dei TILT.

07/09/2012

Pão, pão; queijo, queijo.

- Então é isso, Celina? É pão, pão; queijo, queijo?... Eu bem vejo como você é determinada, como é cheia de preceitos e, sabe, isso é bonito de ver, Celina. Gente assim tá em falta no mundo, de verdade. Gente que sai, que escuta os outros, que pensa sobre as atitudes e que depois não arreda pé daquilo que determina. Eu não, Celina,  eu sou um bundão. Todos os dias eu saio por aí tentando colecionar afetos depois que você me deixou. Não é que eu esteja te culpando, Celina, logo você que é tão compreensível. Eu só saía por aí tentando ser uma daquelas pessoas que conquista todo mundo com um sorriso, uma palavra doce, igualzinho a você. Eu queria ser você. Só que não adianta, não é verdade, Celina? Não adianta a gente querer mudar o que é de verdade, além de bundão, eu sou um turrão. Só me compram depois que lêem da página dois pra lá; contigo não, você é tão cheia de si, tão dona do sorriso mais sincero que eu já vi. Na verdade eu queria você pra ser um pouco como você. Eita menina determinada, você. Depois que decide o que é amizade e o que não é, tem isso muito bem separado. Eu não tô sofrendo, Celina. Não por você...aliás, quem é você dentre as outras, né? O jeito que você chegou foi diferente, o papo foi legal e eu não quis deixar perder. E eu não te culpo não, menina, eu faço o mesmo com outras pessoas por aí. Eu passo pela minha peneira, porque dentro do meu universo eu tenho todo o direito de ser leviano: eu não tô externando isso mesmo! Celina, você é tão linda... mesmo sendo leviana é mais bonita do que eu. Tudo o que você tiver a oferecer é o que eu vou aceitar, em detrimento de não ter desejado botar tudo a perder no começo. Eu que quis esperar coisa demais de você, Celina, mas é que no meu mundo tudo fazia um sentido absurdo. Sua danada, é mais bonita ainda quando está determinada assim. Agora um beijo, Celina, vou em busca de prazer.


07/05/2012

Devir.

      Sabe, eu lutei muito pra chegar até aqui. De verdade... talvez a maior batalha que eu travei tenha sido contra mim mesmo, para controlar os meus impulsos de chutar o balde que surgem de vez em quando. E eu consegui no meio deste processo todo uma coisa que eu pensei que demoraria muito mais para conseguir. Algo que chegou de um modo que eu nunca imaginaria. Eu consegui a minha liberdade, e confesso confuso e desapontado: eu não sei o que fazer com ela. 
      Flagrar-se depois de viver certas situações tendo que lidar com os mesmos problemas velhos, as mesmas dificuldades de sempre e estar simplesmente cansado disso tudo. E não é problema com trabalho, com pai, com mãe ou com vontades; são as persistentes batalhas contra si mesmo. Eu luto muito contra mim: luto para ser uma pessoa mais organizada. E não tô falando de bagunça de objetos, porque por incrível que pareça, neste quesito eu ainda me dou bem. A minha desordem é de ordem interior.
      Aqueles dias em que não se pode fazer nada se não quiser fazer nada. Falta vontade de sair da cama, e não há o mínimo de motivo plausível para isso. Nunca aconteceu uma tragédia de verdade na minha vida, eu não tenho nem um trauma que preste para usar de muleta, confesso que dá até certa inveja de quem tem. Dá-me tanto desespero perceber que eu estou lutando em círculos, que há cinco anos atrás o que eu projetei mudar em mim ainda não consegui. Repito, não tô falando de emprego nem de bens materiais... estes a fluidez da vida se encarregou em me trazer. É dessa solidão compartilhada. De gente igual a mim que vive perto de mim, ou se junta a mim nesta caminhada.
      Eu me perdi tanto em meu desejo de felicidade, na minha luta, na minha busca incessante por mim mesmo, que sobrou um arquétipo de personalidade, construída com muito trabalho por vinte e três anos. E eu me vejo daqui pra frente ainda me incomodando com isso. Só falta aprender a não se incomodar mais.
      A felicidade é algo tão momentâneo, tão relativo, que quando ela chega, lhe faz esquecer que em algum momento você não esteve satisfeito com a sua vida e quando ela vai embora, lhe faz esquecer que sequer em algum momento ela existiu.
      

24/01/2012

Hierarquia de sentimentos

Às vezes eu me pergunto se dentro dos sentimentos existe uma certa hierarquia. Algo como uma escala, que mensura qual tipo de sensação lhe fará sofrer mais e menos. O que é besteira da minha parte, porque nem tudo cabe padronizar. 

É aí que eu entendo o conceito de subjetividade.

É quando você compreende o que é sofrer tanto que parece que não cabe mais dor dentro de você, mesmo que fisicamente não exista um arranhão. O choro é como se fosse um túnel estreito por onde se dá vazão às melancolias confinadas a sete chaves dentro do peito. Quanto mais velhos ficamos, mais aprendemos a domar estas dores. Constrói-se uma dura parede em volta daquilo que já enjoamos de sofrer. Gasta-se muito esforço, pra tentar viver sem tentar se preocupar. Mas basta um pequeno empurrão, um gatilho oculto, uma coisa que vem de onde e de quem menos se espera e que faz com que tudo aquilo guardado volte à tona e que você sofra com coisas que não faz mais sentido sofrer e chore pra compensar tudo aquilo de novo.

Se eu pudesse fazer uma hierarquia, eu colocaria a compreensão como um sentimento bom, ou melhor, como um sentimento essencial. A compreensão é além do amor, porque aquele é a parte racional deste. Faz parte de uma fronteira entre a objetividade e a subjetividade, é quando a gente gosta tanto de uma pessoa que fazemos força o suficiente para pararmos e pensarmos nos motivos dela.

Consequentemente, a incompreensão ficaria lá embaixo na minha lista. Pois é aí que mora o problema: o ódio, oposto do amor; cega completamente sua capacidade de entender o outro, e então você constrói aquela mesma barreira que contém o sofrimento, e vai jogando tudo de ruim que há. Simplesmente por não querer, simplesmente por não amar. "Odeio porque odeio".

Mesmo assim, ainda que se nutra um sentimento negativo, quando se volta a incompreensão ao outro é algo mais plausível. A hierarquia de sentimentos encontra no seu limbo, no fim do fim, na maior tristeza que pode existir, a incompreensão própria. 
É não se gostar e não se entender tanto... até passar a se odiar.