27/09/2010

Pontos de vista.


Eu perco o sono e choro,
Sei que quase desespero,
Mas não sei por quê.

A noite é muito longa,
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer.
Será que alguma coisa,
Nisso tudo, faz sentido?
A vida é sempre um risco,
Eu tenho medo.

Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela,
Mas ninguém me vê.
O mundo é muito injusto,
Eu dou plantão nos meus problemas
Que eu quero esquecer.

Será que existe alguém,
Ou algum motivo importante,
Que justifique a vida,
Ou pelo menos este instante?

Eu vou contando as horas,
E fico ouvindo passos.
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto
Será que existe alguém no mundo?

Kid Abelha - Lágrimas e Chuva
Bruno Fortunato, Leoni e George Israel - Composição



Ver-me, ver a poesia e deixar que me vejam. É o que tem pra hoje e adiante.

23/09/2010

Relevo - 02

A convite de Daniel Zanella, tive uma de minhas crônicas - da qual, confesso nem mais lembrar - publicada na segunda edição do Periódico de nome Relevo.


Em conjunto com outros peregrinos literários da rede, o compilado traz um fino trato das Crônicas cotidianas. 


Evitando delongas:




Sem nem saber direito como, agradeço.

06/09/2010

OLHA

 Nesse blog não relato coisas que "só acontecem comigo", mas tô disposto a escrever um troço aqui, e quem não curtir pode clicar naquele x vermelho lá. Porque o blog é meu (tá, agora ficou parecendo outra coisa), enfim:


 Tô aqui pra deixar claro que sou contra a censura, mas a favor do respeito, por isso mesmo digo: crianças, não paguem suas contas em dia. 
 Sério, o CEUNSP faz uns boletos mucholocos que contam fim de semana como dias úteis (Gente, eles encontraram utilidade no domingo! Isso é sacrilégio!), daí seu boleto sempre vence 1 ou 2 dias antes do quinto dia útil do resto do Brasil. De boas, tô até acostumado a pagar sempre atrasado. A questão é que meu pagamento caiu hoje, na mesma data de vencimento do boleto de setembro, e eu pensei em uma vez na vida ter a capacidade de não pagar juros e taxa de conta vencida. Fui lá, tirei a grana e fui à faculdade quitar minha dívida com a sociedade (ou ao menos, metade dela). O fato é que "não recebemos mensalidade antes do vencimento, Sr.". 
Tipo, ALÔ? Como assim existe um caixa na faculdade e ele é designado única e exclusivamente aos inadimplentes? 
 Beleza, saí em direção à Banca de jornal da esquina que mui convenientemente recebe contas, mas estava fechada, porque hoje é dia SEIS DE SETEMBRO e não tinha ninguém fora eu, os funcionários da faculdade e o Maionese naquela praça. MAS APOSTO COM VOCÊS QUE A FACULDADE CONTA ESSE SEIS DE SETEMBRO COMO DIA ÚTIL PRAQUELE BOLETOZINHO DE MERDA!...Desculpa que alterei.
 Então, mais do que depressa ( já eram 19h30) lembrei-me que a única lotérica que possivelmente estaria aberta seria a do digno xopis-centis dessa cidade provinciana. Desloquei-me até lá e, já na portaria, lembrei-me da taxa de R$3,00 para o estacionamento. "Fudeu", pensei, "Vai ficar mais caro do que se eu deixar pra pagar quarta-feira" (porque amanhã é feriado e a Ceunsp não vai abrir pra receber conta, MAS PERGUNTEM-ME SE ELA CONSIDERA COMO DIA ÚTIL?).
 Minha salvação foi ler as letrinhas do cartaz e ver que se permanecesse no shopping só por 20min, não precisaria pagar o estacionamento. Peguei o ticket e li 19:33, pensei "Beleza, dá tempo, só chegar e pagar". Estava triunfante, estacionei todo pimpão, entrei e vi a fila da lotérica fazendo curva. Porque é óbvio que eu não seria o único idiota que vai pagar conta perto da ultima lotérica da cidade fechar, e também não sou o único idiota dessa mesma cidade que faz Ceunsp e tem problemas com seus dias úteis. Enfim, no Hipermercado junto do shopping (não vou fazer propaganda do Extra nesse blog nem a pau, né?) Tem um caixa pra receber conta: "19:36, dá tempo..." Filinha razoavelmente pequena. E o ombudsman ainda chegou e despachou mó galera que "a contám é do cartão extrãn? Por favor, naquelên outro caixán."
 Eu sofria: 
 "Dá tempo, dá tempo, a fila diminuiu...19:42, vai dar!"
 "19:46, caralho, será que meu relógio tá igual ao da maquininha do ticket?"
 "19:47...ei?"
 Chegou todo sutilmente e gracioso, sobre seu patins, de novo,  o Ombudsman pra dizer "Senhórens, o sixxxtema caiuãn, não dá maix pra receber contâns." 
 Cara, não fiquei nem pra xingar! Era 19:48! Eu tinha 5 minutos pra voar até o carro e sair daquela merda, e foi o que eu fiz, a última vez que eu saí correndo tão rápido assim do Extra foi quando eu roubei um chocolate e um Doritos (não me perguntem como) em 2002. 
 Tava na fila de carros pra sair, "19:50... CARALHO! Se não der tempo vou ter que voltar e validar essa porra lá dentro... VAMÔ!!" 
 Daí que a Lady Murphy, essa linda, tava fazendo muito bem o seu trabalho hoje, e logo na minha frente tinha um carro que na certa ou esqueceu de validar seu ticket, ou era algum algum outro aluno da CEUNSP com problemas (se é que existe algum que não tenha). E o lindo ficou lá enrolando pra sair. Veio o guardinha, veio o outro guardinha, veio a puta que o pariu, até que o cusão sair pelo escape lá.
 Minha vez, tudo ou nada, 19:52 no meu relógio, vai dar... Passei o ticket no leitor... "PIIIIIIIIIIII" "Caramba, o que será isso? Será que tá me mandando voltar?".

 Acabou o texto galera, morram de curiosidade. Se o meu dia foi uma merda, tá aqui minha contribuição pra o que de vocês também seja.
 E lembrem-se, nunca paguem as suas contas no dia certo, tá que no final da sua vida o que você pagou de juros daria pra comprar um carro 0km, mas é melhor nem ter carro no preço que tá o estacionamento do shopping.

03/09/2010

Se eu quiser falar.

- Toma uma cadeira.
- Oi?
- Senta.
- Ah, sim!
- Pois não?
- Estou com um problema. Na verdade um não, são vários que compõem um maior.
- Eu sei. Mas vou fazer que não...
- Por favor. Essa conversa e futuro texto têm de ter o desprendimento de uma consulta.
- De um desabafo.
- De quê?
- Na verdade você quer desabafar e só não encontrou como. Então quer escrever, como sempre.
- Olha, não dá pra fazer assim não... se você começar a revelar meu subconsciente logo agora, vai ficar difícil de desenvolver o papo.
- Sim. Só fiz pra descontrair... mas, prossiga. Qual é mesmo o seu problema?
- Eu não gosto de mim.
- Disserte.
- Assim... até gosto, sabe? Não é que eu vá me jogar na frente de um carro ou bater o meu de propósito amanhã, não é esse instinto suicida, não.
- Você não é suicida. Se fosse, nossa conversa seria totalmente outra.
- Pois então. O problema é que tem coisa demais em mim que eu não gosto e que queria mudar.
- Então muda.
- HÁ! NÃO ME VENHA VOCÊ, JUSTO VOCÊ, MANDAR UMA DESSA “ENTÃO MUDA” COMO SE FOSSE ASSIM INSTANTÂNEO
- Tá gritando na discussão. Gosto muito quando você faz isso.
- Desculpa, foi sem querer.
- Só nós dois gostamos quando você faz isso. Portanto, não é sem querer. Você sabe das consequências, mas gosta de reafirmar seus defeitos sutilmente, sem que percebam que é algo calculado. Sua voz alta é sua marca.
- Tá, tá, tá bom... o foco não é esse. Lembra aquele papo de mudar e de não ser tão fácil assim?
- Claro.
- É isso, sabe? Grosso modo eu modifico algumas atitudes e não ajo sob maldade, não que eu note, só que eu tenho a sensação de estar incomodando ou ofendendo alguém desde quando eu acordo, até o instante de ir dormir. E incomodo também durante o sono. A cada passo, atitude – ou falta de – estou sendo julgado e apontado.
- Ninguém esta livre de julgamento, você é uma das pessoas que conheço que mais diz isso, inclusive em seus conselhos.
- Eu sei, eu sei, eu sei... Não tem a ver com o que as pessoas ACHAM de mim ou a opinião delas sobre minha índole. Aliás, dane-se, é que tem gente que importa demais se importando demais.
- Gostei da frase.
- Obrigado. Bem... Acho que é isso tudo, sei lá.
- Certo. Vou explicar bem detalhadamente, espero que você entenda de primeira: você gosta de você mesmo sim, só fica falando isso pra se eximir da culpa. Você não gosta é do fato das pessoas gostarem de você. De te amarem e esperarem isso em troca. Detesta essa possibilidade. O julgamento delas sobre você, de fato, pouco importa, mas sim o modo como elas irão conceber suas atitudes dentro da convivência. Resumindo, você tem verdadeira antipatia à obrigação de agradar as pessoas.
- É exatamente isso. E você disse “Então muda.”. Eu lhe pergunto, como?
- Você tem de aprender a falar comigo, inicialmente. É até um passo bacana esse que você deu agora, mas você tem de se encher mais de certezas. Não que tudo tenha um único ponto correto, adoro a relatividade, você sabe.
- Sei.
- Enfim, a maioria é coisa da sua cabeça e o medo que você sempre teve de encarar as coisas, apesar de querer deixar claro a todo mundo a não existência desse temor. Você seleciona o que é menos impactante e manda brasa, porém não é bem assim. Resolva tudo o que está ao alcance, mas nem sempre com uma conversa franca e com tomada de partido; vá aos poucos convencendo com atitudes e fatos muito mais do que com palavras. Com o tempo, o fardo da responsabilidade com os outros vai diminuindo.
- Não sei se eu vou conseguir isso tudo, é difícil.
- Claro que é, mas você é forte, sabe que é, e adora admitir isso sutilmente.
- HAHAHAHAHA!
- Agora eternize isso tudo e seja feliz. Foi pra isso que te criei.
- Obrigado, acho que adiantou bastante. Até.
- Até.