14/12/2010

Quando se quer, se faz.

Quando do conforto da solidão se é retirado,
em meio a traumas e desesperos, o encontro.
Pontes com o passado, conversas risonhas...
Lá estava ao lado, portando timidez estática.
Pensar e agir: flertar. 
Como se quis, como se fez. Arrepios.
Carona, conversa, descoberta. Contatos.

Quando no dia seguinte há ansiedade, 
Mensagens exteriorizam-se pelos elogios e atenção.
Conversas paralelas à rotina. Pensamentos idem.
Daqueles que vêm, ocupam e permanecem. 
O desejo incontrolável de se ver de novo.
Como se quis, como se fez. Carinhos.
Conhecer, conversar, comparar. Semelhanças.

Quando se segue esperando o novo,
não se enxerga o outro lado do sentir.
Continuou-se a ir, à gostar a sempre querer.
Do modo mais infantil e eficiente, gostar.
A alegria de se sentir completo, enfim.
Como se quis, como se fez. Encontros.
Encontrar, beijar, falar. Gostar.

Quando se é perfeito demais, 
a ponto de perder a emoção,
Depara-se com o receio de viver assim.
Um dos lados fincou os pés no chão.
Para o próprio bem, parar com isso agora.
Como se quis, como se fez. Amizade.
Conversar, terminar, elogiar. Chorar.

Quando se chora finalmente pelo o que sempre fez com que os outros chorassem...

03/11/2010

Eu não quero escrever.

Momentaneamente, nada definido, nenhuma decisão radical tomada.
É que por agora, somente por esses dias ou esse biênio, perdi a vontade de registrar o que sou e a continuidade disso.
Não significa que tenha criado antipatia pela tinta e o papel, ou o teclado e o monitor. É um daqueles problemas com antes, durante e depois.


O antes que nunca é planejado, rascunhado, feito em moldes: jamais me preparo pra isso e perco o respeito pela atitude. Não faço digestão de assuntos ou determino utopias para palavras;

O durante é o tempo e o espaço em que me encontro. Físico ou psicológico - o ato da escrita é daqueles em que um templo deve ser estabelecido e utilizado. Entretanto, sou pagão das letras, pois qualquer canto de qualquer maneira, a qualquer hora - sacra ou não - serve pro regurgito das minhas besteiras. Nenhum rito é cumprido, nem nenhuma bolha é inflada, do mundo externo não estou protegido ou refugiado. 

O depois é a vergonha das experiências registradas, o tédio de ceder explicações às paranóias e o valor que não atribuo às linhas que montei.

Haja vista os fatos, está decidido que, por ora, não escrevo; só continuarei a fazer o de sempre.

14/10/2010

Retro Dia das Crianças - Earthbound

Não, ninguém aqui entrou num blog de games por engano. É o seguinte: eu acompanho o blog Gagá Games porque uma das coisas que formou meu caráter e personalidade é o fato de eu jogar video-games desde os 3 anos, incentivado pelo meu pai, inclusive. 
Então foi lançado um meme do blog GLStoque que consiste no seguinte: 


 Indique um retrogame que seja bom para a garotada jogar no dia 12 de outubro! Pode ser uma boa introdução ao mundo retrô, ou apenas um jogo divertido para a criançada de um modo geral. 

Passei dois dias da data, mas pra mim não importa. Eu achei a iniciativa bacana porque é  uma forma perfeita de eu mostrar esse meu lado gamístico aqui no blog, afinal de contas eu me mostro de tanto jeito por aqui...
O jogo que trarei, portanto, foi um que fez com que eu me apaixonasse pelos RPG's de verdade, pelo espírito aventureiro, o enredo e as falas. 


Earthbound


Lançado para o Super Nintendo em 1994, esse jogo possui no japão o nome de Mother 2, justamente por ser sequência de Mother, título lançado para o saudoso Nintendinho (quem tem mais de 25 sabe o que eu estou falando).

Guia do jogo oficial que acompanhava o cartucho (eu tenho  =D)


A trama e a história foram inovadoras, pois traziam fatos que aconteciam em tempos "reais" e não o clássico Dungeons & Dragons de outros RPG's. Outros jogos que apostaram nisso também deram supercerto, como Phantasy Star e Shin Megami Tensei.





Mapa de Onett









Você assume o controle de Ness, um garoto de 10 anos que mora no país de Eagleland no ano de 199X (quando eu era criança eu achava que esse ano aconteceria de fato antes do ano 2000 e o planeta Terra todo teria uma distorção no espaço-tempo, obrigado). 

Ness reside na pacata cidade de Onett, um típico ambiente norteamericano, e é fissurado por baseball. Num belo dia, um meteoro cai nos arredores da cidade, próximo da casa de nosso herói que sai para investigar o ocorrido. Ao lado de seu vizinho insuportável, Pokey - o vilão da série cheio de um inegável carisma - e seu cachorro King  - o qual é dono das falas mais impagáveis ouvidas apenas por Ness - eles partem atrás de Picky (irmão de Pokey) e acabam por encontrar Buzz-Buzz, um soldado-mosca que veio do futuro avisar a Ness que ele e mais três crianças possuem a missão de salvar a Terra de Giygas, uma entidade alien que destruirá a humanidade. 

Batalha e o uso de PSI




Confuso? Maluco? Infantil?

Um exemplo das ótimas tiradas do jogo.
E o que não é!? Esse é só o começo do jogo, algo que faz muito sentido para a cabeça de uma criança (seja atual, seja eterna), e não para por aí: Earthbound é dono de uma das melhores histórias já vistas (podendo perder apenas pro seu sucessor Mother 3), onde você conhecerá personagens carismáticos, descubrirá que é dono de poderes paranormais conhecidos como PSI e viajará por vários locais do mundo em busca de santuários especiais, os quais lhe garantirão poder suficiente para destruir Giygas e Pokey. 

É claro que Ness não estará só: terá a companhia de Paula, uma menina dotada de poderes especiais da cidade de Twoson; Jeff, o gênio-mirim da gélida Winters e Poo, o príncipe de Dallam que possui treinamento especial para ativar seu eu-interior.
Os Quatro Escolhidos


Se eu fosse contar mais, renderia linhas e linhas de texto, e o blog não está aqui só pra isso. Tudo o que eu posso lhes garantir é: sejam crianças ou não, este jogo é o tipo de coisa que lhe entretém e diverte, que lhe faz refletir e imergir numa história de um modo que só um bom RPG consegue. Além de ser um ÓTIMO modo modo de treinar seu inglês (apesar de haver uma tradução para nossa lingua-mãe).

Seguem blogs participantes
Cosmic Effect – http://goo.gl/ZImT
Dimensão X – http://goo.gl/ujVS
Gagá Games – http://goo.gl/mQRB
GAMESPORTEMANIA - http://goo.gl/iBUg
GLStoque – http://goo.gl/6fFh
Museumdosgames – http://goo.gl/n1J6
Nota Zer0 Games – http://goo.gl/T662
O Gamer – http://goo.gl/H3Pq
Passagem Secreta – http://goo.gl/6ihS
Puff Puff Room – http://goo.gl/sKM8
Retroplayers – http://goo.gl/CL1U
Santuário do Mestre Ryu – http://goo.gl/v7xo
TheFourOn – http://goo.gl/gmaE
Vão Jogar! – http://goo.gl/AK37
Ziro Video Game Nerd – http://goo.gl/rfnT

Links
Starmen.net - Maior site sobre o jogo e sua série, organizado e mantidos pelos fãs
Earthbound Brasil - Site brasileiro responsável pela tradução do jogo para o Português.

Quem quiser jogar, é só procurar a ROM no google, afinal de contas, se eu disponibilizar algo aqui estarei sendo um criminoso =)

Obrigado pelo interesse.

05/10/2010

O que se passa mesmo?

 Essas páginas em branco não sabem o poder que têm. Quem outrora mal podia se controlar com seus segredos e angústias, agora esta defronte de algumas questões antes veladas e venenosas. 
 É válvula de escape: aumentar o ressentimento até colocá-lo do tamanho de si, e sair andando com ele por aí, destilando conceitos retrógrados e convenientes. Acontece que agora as coisas não são mais assim. O pobre ser falsário revelou-se por conta, quem convive sabe disso, e não há mais desculpas para manter bem atadas as amarras que serviam como estopim ao desequilíbrio. Portanto, não se vive mais encostado em mentiras.






Preciso colocar em ordem
o meu discurso contra a vida*
  

 Tudo isso é fruto de uma palavra: o egoísmo. Pode ser fruto de outras também, mas é sobre ela que deve ser projetada a luz de cena, com a finalidade de se obter algum sucesso nas teorias sobre a vida. É um tipo especial de centralização no ego, esse que faz com que o vivente em questão consiga gostar das próprias tragédias que se fazem onipresentes em inúmeras questões. 
 Agora, o que mais lhe aflige é se ver às vezes sem força e vontade para provar a si mesmo, por consequência aos outros, que ele se incomoda com a falta de certezas futuras.
 O que lhe incomoda de verdade é não estar certo sobre nada de que se passa no presente.






*Cérebro Eletrônico - Sérgio Sampaio Volta

27/09/2010

Pontos de vista.


Eu perco o sono e choro,
Sei que quase desespero,
Mas não sei por quê.

A noite é muito longa,
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer.
Será que alguma coisa,
Nisso tudo, faz sentido?
A vida é sempre um risco,
Eu tenho medo.

Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela,
Mas ninguém me vê.
O mundo é muito injusto,
Eu dou plantão nos meus problemas
Que eu quero esquecer.

Será que existe alguém,
Ou algum motivo importante,
Que justifique a vida,
Ou pelo menos este instante?

Eu vou contando as horas,
E fico ouvindo passos.
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto
Será que existe alguém no mundo?

Kid Abelha - Lágrimas e Chuva
Bruno Fortunato, Leoni e George Israel - Composição



Ver-me, ver a poesia e deixar que me vejam. É o que tem pra hoje e adiante.

23/09/2010

Relevo - 02

A convite de Daniel Zanella, tive uma de minhas crônicas - da qual, confesso nem mais lembrar - publicada na segunda edição do Periódico de nome Relevo.


Em conjunto com outros peregrinos literários da rede, o compilado traz um fino trato das Crônicas cotidianas. 


Evitando delongas:




Sem nem saber direito como, agradeço.

06/09/2010

OLHA

 Nesse blog não relato coisas que "só acontecem comigo", mas tô disposto a escrever um troço aqui, e quem não curtir pode clicar naquele x vermelho lá. Porque o blog é meu (tá, agora ficou parecendo outra coisa), enfim:


 Tô aqui pra deixar claro que sou contra a censura, mas a favor do respeito, por isso mesmo digo: crianças, não paguem suas contas em dia. 
 Sério, o CEUNSP faz uns boletos mucholocos que contam fim de semana como dias úteis (Gente, eles encontraram utilidade no domingo! Isso é sacrilégio!), daí seu boleto sempre vence 1 ou 2 dias antes do quinto dia útil do resto do Brasil. De boas, tô até acostumado a pagar sempre atrasado. A questão é que meu pagamento caiu hoje, na mesma data de vencimento do boleto de setembro, e eu pensei em uma vez na vida ter a capacidade de não pagar juros e taxa de conta vencida. Fui lá, tirei a grana e fui à faculdade quitar minha dívida com a sociedade (ou ao menos, metade dela). O fato é que "não recebemos mensalidade antes do vencimento, Sr.". 
Tipo, ALÔ? Como assim existe um caixa na faculdade e ele é designado única e exclusivamente aos inadimplentes? 
 Beleza, saí em direção à Banca de jornal da esquina que mui convenientemente recebe contas, mas estava fechada, porque hoje é dia SEIS DE SETEMBRO e não tinha ninguém fora eu, os funcionários da faculdade e o Maionese naquela praça. MAS APOSTO COM VOCÊS QUE A FACULDADE CONTA ESSE SEIS DE SETEMBRO COMO DIA ÚTIL PRAQUELE BOLETOZINHO DE MERDA!...Desculpa que alterei.
 Então, mais do que depressa ( já eram 19h30) lembrei-me que a única lotérica que possivelmente estaria aberta seria a do digno xopis-centis dessa cidade provinciana. Desloquei-me até lá e, já na portaria, lembrei-me da taxa de R$3,00 para o estacionamento. "Fudeu", pensei, "Vai ficar mais caro do que se eu deixar pra pagar quarta-feira" (porque amanhã é feriado e a Ceunsp não vai abrir pra receber conta, MAS PERGUNTEM-ME SE ELA CONSIDERA COMO DIA ÚTIL?).
 Minha salvação foi ler as letrinhas do cartaz e ver que se permanecesse no shopping só por 20min, não precisaria pagar o estacionamento. Peguei o ticket e li 19:33, pensei "Beleza, dá tempo, só chegar e pagar". Estava triunfante, estacionei todo pimpão, entrei e vi a fila da lotérica fazendo curva. Porque é óbvio que eu não seria o único idiota que vai pagar conta perto da ultima lotérica da cidade fechar, e também não sou o único idiota dessa mesma cidade que faz Ceunsp e tem problemas com seus dias úteis. Enfim, no Hipermercado junto do shopping (não vou fazer propaganda do Extra nesse blog nem a pau, né?) Tem um caixa pra receber conta: "19:36, dá tempo..." Filinha razoavelmente pequena. E o ombudsman ainda chegou e despachou mó galera que "a contám é do cartão extrãn? Por favor, naquelên outro caixán."
 Eu sofria: 
 "Dá tempo, dá tempo, a fila diminuiu...19:42, vai dar!"
 "19:46, caralho, será que meu relógio tá igual ao da maquininha do ticket?"
 "19:47...ei?"
 Chegou todo sutilmente e gracioso, sobre seu patins, de novo,  o Ombudsman pra dizer "Senhórens, o sixxxtema caiuãn, não dá maix pra receber contâns." 
 Cara, não fiquei nem pra xingar! Era 19:48! Eu tinha 5 minutos pra voar até o carro e sair daquela merda, e foi o que eu fiz, a última vez que eu saí correndo tão rápido assim do Extra foi quando eu roubei um chocolate e um Doritos (não me perguntem como) em 2002. 
 Tava na fila de carros pra sair, "19:50... CARALHO! Se não der tempo vou ter que voltar e validar essa porra lá dentro... VAMÔ!!" 
 Daí que a Lady Murphy, essa linda, tava fazendo muito bem o seu trabalho hoje, e logo na minha frente tinha um carro que na certa ou esqueceu de validar seu ticket, ou era algum algum outro aluno da CEUNSP com problemas (se é que existe algum que não tenha). E o lindo ficou lá enrolando pra sair. Veio o guardinha, veio o outro guardinha, veio a puta que o pariu, até que o cusão sair pelo escape lá.
 Minha vez, tudo ou nada, 19:52 no meu relógio, vai dar... Passei o ticket no leitor... "PIIIIIIIIIIII" "Caramba, o que será isso? Será que tá me mandando voltar?".

 Acabou o texto galera, morram de curiosidade. Se o meu dia foi uma merda, tá aqui minha contribuição pra o que de vocês também seja.
 E lembrem-se, nunca paguem as suas contas no dia certo, tá que no final da sua vida o que você pagou de juros daria pra comprar um carro 0km, mas é melhor nem ter carro no preço que tá o estacionamento do shopping.

03/09/2010

Se eu quiser falar.

- Toma uma cadeira.
- Oi?
- Senta.
- Ah, sim!
- Pois não?
- Estou com um problema. Na verdade um não, são vários que compõem um maior.
- Eu sei. Mas vou fazer que não...
- Por favor. Essa conversa e futuro texto têm de ter o desprendimento de uma consulta.
- De um desabafo.
- De quê?
- Na verdade você quer desabafar e só não encontrou como. Então quer escrever, como sempre.
- Olha, não dá pra fazer assim não... se você começar a revelar meu subconsciente logo agora, vai ficar difícil de desenvolver o papo.
- Sim. Só fiz pra descontrair... mas, prossiga. Qual é mesmo o seu problema?
- Eu não gosto de mim.
- Disserte.
- Assim... até gosto, sabe? Não é que eu vá me jogar na frente de um carro ou bater o meu de propósito amanhã, não é esse instinto suicida, não.
- Você não é suicida. Se fosse, nossa conversa seria totalmente outra.
- Pois então. O problema é que tem coisa demais em mim que eu não gosto e que queria mudar.
- Então muda.
- HÁ! NÃO ME VENHA VOCÊ, JUSTO VOCÊ, MANDAR UMA DESSA “ENTÃO MUDA” COMO SE FOSSE ASSIM INSTANTÂNEO
- Tá gritando na discussão. Gosto muito quando você faz isso.
- Desculpa, foi sem querer.
- Só nós dois gostamos quando você faz isso. Portanto, não é sem querer. Você sabe das consequências, mas gosta de reafirmar seus defeitos sutilmente, sem que percebam que é algo calculado. Sua voz alta é sua marca.
- Tá, tá, tá bom... o foco não é esse. Lembra aquele papo de mudar e de não ser tão fácil assim?
- Claro.
- É isso, sabe? Grosso modo eu modifico algumas atitudes e não ajo sob maldade, não que eu note, só que eu tenho a sensação de estar incomodando ou ofendendo alguém desde quando eu acordo, até o instante de ir dormir. E incomodo também durante o sono. A cada passo, atitude – ou falta de – estou sendo julgado e apontado.
- Ninguém esta livre de julgamento, você é uma das pessoas que conheço que mais diz isso, inclusive em seus conselhos.
- Eu sei, eu sei, eu sei... Não tem a ver com o que as pessoas ACHAM de mim ou a opinião delas sobre minha índole. Aliás, dane-se, é que tem gente que importa demais se importando demais.
- Gostei da frase.
- Obrigado. Bem... Acho que é isso tudo, sei lá.
- Certo. Vou explicar bem detalhadamente, espero que você entenda de primeira: você gosta de você mesmo sim, só fica falando isso pra se eximir da culpa. Você não gosta é do fato das pessoas gostarem de você. De te amarem e esperarem isso em troca. Detesta essa possibilidade. O julgamento delas sobre você, de fato, pouco importa, mas sim o modo como elas irão conceber suas atitudes dentro da convivência. Resumindo, você tem verdadeira antipatia à obrigação de agradar as pessoas.
- É exatamente isso. E você disse “Então muda.”. Eu lhe pergunto, como?
- Você tem de aprender a falar comigo, inicialmente. É até um passo bacana esse que você deu agora, mas você tem de se encher mais de certezas. Não que tudo tenha um único ponto correto, adoro a relatividade, você sabe.
- Sei.
- Enfim, a maioria é coisa da sua cabeça e o medo que você sempre teve de encarar as coisas, apesar de querer deixar claro a todo mundo a não existência desse temor. Você seleciona o que é menos impactante e manda brasa, porém não é bem assim. Resolva tudo o que está ao alcance, mas nem sempre com uma conversa franca e com tomada de partido; vá aos poucos convencendo com atitudes e fatos muito mais do que com palavras. Com o tempo, o fardo da responsabilidade com os outros vai diminuindo.
- Não sei se eu vou conseguir isso tudo, é difícil.
- Claro que é, mas você é forte, sabe que é, e adora admitir isso sutilmente.
- HAHAHAHAHA!
- Agora eternize isso tudo e seja feliz. Foi pra isso que te criei.
- Obrigado, acho que adiantou bastante. Até.
- Até.

22/06/2010

Entrelinhas de uma Revanche.




Minha cor é a verde, não que eu assim seja, mas é a que eu elegi desde muito cedo. E também, desde criança, descobri que a dita coloração nomeia e representa o "sentimento (?)" da Esperança.


Não tenho medo de sofrer,
Eu não me importo em chorar.
Tudo que eu quero é viver
Um sonho lindo
 Conclusão: desde que me entendo apto a discriminar cores, vejo-me apto também a classificar-me como um ser de esperança. Incontestavelmente, sou assim e sou desses. Eis-me mais velho, então, deixando escapar por alguns minutos - desses que formam anos - esquecendo-me daquela que deixo tomar minha dianteira.

Com tanta gente nesse mundo
Alguém será meu bem querer
Porque não vou envelhecer
Triste e sozinho

 Até quando sou apto a realizar aquilo tudo que me propus? Por que a vida nos faz em essência diferente daquilo que almejamos? Não quero a esperança do amor conto de fadas, da perfeição e do silêncio da discordância. Quero o sofrimento da saudade, aliada a companhia dos defeitos: o respeito das mãos sobre a face e do beijo da cumplicidade.

Se a dor marcou seu coração
Outro amor vai te curar
Sai da solidão
Tem medo não
De novamente se entregar
Se caiu levanta desse chão
Viver é se arriscar
 Então, nessa etapa de um ciclo que se fecha e outro que se abre, chega o momento de desenhar minhas proposições futuras, não que minha vida seja minuciosamente calculada. O sofrimento é parte daquilo tudo que sonhamos pra nós. Inconscientemente desejamos passar por aquela fase de martírio, sentir-nos-emos mais dignos do objetivo. Isso é esperança: querer e gostar de sofrer até o fim. 

Quando ele chegar
Os sinos vão tocar
Os pés vão flutuar
A boca vai secar
A terra há de tremer
Os pássaros cantar o amor
 Os bons pensamentos e os bons desejos não partem de si, mas sim de entender que tudo conspira para que as coisas deem certo. E quando toda positividade convergir no ser, no ser você mesmo, toda a sorte de sinais será disparada. 

Pode vir do mar
Da terra ou do ar
Das asas do avião
Da mesa de um bar
Promessas de verão
Nos beijos de um beija-flor
 O verde, Marcelo, não está em você. Não é você. O verde é o mundo grandioso a sua volta, esperando que você cresça e  domine-o, mostrando-se completamente defeituoso e sofrível, exatamente do jeito que quer ver as pessoas. Descubra, a partir das pequenas situações, aquilo que você quer ver nos outros.
 Permita-se. 

04/06/2010

Cumplicidade Masculina I

         Comprou a passagem, tomou uma água e desceu a escadaria do terminal da Barra Funda. Impressionava-se sempre com cada detalhe daquela cidade, desde uma trinca na parede até a civilização a perder de vista. Havia quatro cadeiras destinadas ao acomodo de quem esperava pelo ônibus com destino ao interior. Olhou bem para quem as ocupava: uma senhora gorda comendo um Club Social e ralhando com sua criança, sentava-se na última da esquerda. De tão espaçosa, achava-se no direito de deixar sua bagagem na cadeira ao seu lado. Na última da direita, encontrava-se um rapaz jovem, de boa aparência. Um rosto de expressão fechada, com sobrancelhas expressivas, mas com traços de jovialidade.
         Sentou-se, então, na cadeira que lhe restava, entre os trecos da gorda e seu companheiro de juventude. Lá estavam. Todos mirando de esguio o grande relógio branco à espera das quatro da tarde; a mulher comia e xingava, o moço fechava a cara e lia e ele espiava tudo aquilo.
         Não mais que de repente, ela desce das escadas. Tinha na certa tanta idade quanto os dois rapazes, mas demonstrava muito mais segurança e desenvoltura pra viver, apesar de estar perdida naquele lugar. Trajava um vestido de cor clara, um palmo acima do joelho. Um ligeiro decote, justamente daquele que deixa qualquer homem doido, a fim de não escachar os peitos, mas sim de estimular o olhar para mensurar o real tamanho. Tinha pernas bem torneadas - e depiladas, diga-se de passagem -, andava com graça a despeito de sua confusão, como já informei. De pele branca e corada pelo sol e cabelos claros, nos quais usava algum apetrecho que determinava sua personalidade.
         Ela vinha de frente enquanto os rapazes acompanhavam seu trajeto, passou por eles e foi mais adiante, deixando visível a sua bunda. Bela bunda, redondinha e pra cima, desenhava o vestido e tinha um sincero rebolado: um daqueles que não imploram para serem vistos.
         Foi até lá, e voltou ainda perdida a procura na certa da plataforma correta, passou mais uma vez por eles que se perdiam em olhares. Foi nessa que um flagrou o outro a fitar a garota. Quando assim perceberam - sequer se conheciam - olharam-se seriamente, ergueram as sobrancelhas e fizeram um biquinho, o sinal que traduz em toda sua essência “Você viu que gostosa, rapaz?”.

16/05/2010

Condicionado

"    Era taciturna em seus comentários, além de sempre ter algo com o que contribuir. Definitivamente uma boa companhia: divertida na maior parte do tempo, conselheira quando devia ser. Isto é o que confundia.
   Pra conseguir encontrar algum superficialismo em toda aquela estrutura feminina necessitaria de muito empenho e olhar clínico. Ela traduzia em seu viver as principais características de uma mulher adulta da década de 10. Da nova década de 10, não daquela em que as mulheres morriam na tentativas de serem ouvidas. Na década em questão, morre quem não quer ouvir alguma delas. 
   Tinha um bom emprego, conseguido com honra devido aos seus conhecimentos bem aplicados e difundidos. Criara quatro filhos com muita disciplina e virtudes. Era feliz em seu casamento, também.
   Tudo estava bem com ela. Acordava e dormia exalando experiência de vida e de conhecimentos."

"  Mas..."

"  Não há 'mas'. Que mania de esperar o pior quando primeiro descrevem o melhor! Era humana e tinha defeitos. A vida de todo mundo é assim, não é? 
  Somos condicionados a pensar que no contexto expositivo, as características ruins superarão as boas. Não tem de ser assim, não necessariamente." 

27/04/2010

Transição despercebida.

        Talvez haja uma lacuna na divisão etária de nossas psicologias e sociedades, em consequência da priorização pelo desenvolvimento abrupto que se dá em determinada idade. É uma faixa que chega e perdura pouco - pouquíssimo - e que só quando ela passa, percebemos-lhe. Para alguns, dura um ou dois anos, para outros uns cinco e raramente é infinita. É a pós-adolescência.
        Esta fase principia-se – ao menos em nossos moldes sociais – com os dezoito anos aproximadamente. É quando o individuo tem consciência de que apenas 25% das coisas babacas que faz efetivamente têm fundamento e respaldo. Trabalhar não é mais pra comprar a calça jeans no fim do mês, ou pra dar uma ajudinha em casa, não só isso, ao menos; é necessário o esboço consciente do que se planeja profissional e economicamente no mínimo para os próximos cinco anos. Não se ganha mais dinheiro para ir à balada e torcer para o juizado de menores não barrar na porta, o que pode até garantir alguma diversão, nem se bebe por afirmação social, para provar que você é menor de idade e sabe sim a definição de um bom porre, ou até como dar trabalho para seus amigos no fim da noite. Saímos, bebemos, dançamos; então, por mera conveniência psíquica nesta fase.
        Parte dos pós-adolescentes é recém formada no Ensino Médio e enfrenta um embate: o estudo não é mais uma obrigação. A maioria dos empregos com alguma dignidade irá lhe aceitar com o certificado de segundo grau, todavia nem sempre este quase adulto estará feliz com isso: então resolve tentar uma Universidade, um ensino profissionalizante, uma especialização etc. Uma das crises de personalidade começa a existir neste ponto, já que durante quase duas décadas o individuo tenta concatenar gostos e valores para influenciarem no direcionamento de sua formação. A problemática enfrentada, contudo, é a de que quando se conhece o objeto de estudo a fundo, descobrem-se suas fragilidades e seus pontos não interessantes, este é outro trauma pós-adolescente. Exemplificando: Paulo sempre gostou muito de Informática, até ingressar num curso superior de Análise de Sistemas “por ser da área de computação, né?”. Ledo engano. Todo o delimitado é importante, a generalização por área é perigosa. Definitivamente é algo mais – chato ou legal – do que “área de computação”.
        Outro fato ímpar ocorre na pós-adolescência, podendo até ser o acontecimento mais marcante e único da vida. Trata-se da consolidação de amizades. Quem é seu amigo ainda, mesmo após convivências forçadas no ambiente escolar, ou fora dele, acredite, o faz porque quer e gosta de você – por mais incrível que possa parecer. Nessa idade sua personalidade já é consolidada e repleta de aspectos positivos e negativos, e quem consegue desenvolver um interesse em sua companhia está cônscio dos prós e dos contras.
        O sexo também passa a ser encarado de forma diferente. Entende-se o porquê de fazer sexo e não se entende o porquê de querer amar e ser amado. O prazer é mais controlável e não mais contido. Namoros são a base do que você vai entender um dia como casamento – isso se já não é casado e entende há muito tempo -, deixando de ser “estar com a pessoa porque me sinto bem”. Ora é um jogo de conveniência que envolve sexo, ora é um sexo de conveniência que envolve jogo.
        Há alguns fatores secundários, como o modo que você passa a encarar sua família, sabendo que está a poucos passos de constituir a sua própria; da dor de cabeça que dá dormir só quatro horas por noite; de como se pode conhecer gente muito legal perto de você e gente muito chata longe de você, apesar de sempre ter pensado ao contrário; que o conhecimento leva sim a algum lugar, mesmo não se sabendo ao certo que lugar será este. E que você vai engordar (ou emagrecer, pra quem não quer) mais, não adianta.
        Por fim, a pós-adolescência só é de fato sentida quando se esvai. O devir encarrega-se de eliminar velhos conceitos e de fazer-nos continuar a fluir. No dia em que você reclama por estar sol, ou por chover. Quando você não se importa mais em acordar cedo e enfrentar um dia todo de trabalho seguido de uma noite de estudos – não necessariamente nesta mesma ordem – por saber que “a vida vai ser sempre assim”. A partir do momento em que o redemoinho de obrigações do dia seguinte não tira mais o seu sono porque “sempre tem coisa a se fazer”. Quando o dinheiro não é digno, mas sim um objeto de sobrevivência...
        Você já é adulto e saiu de uma fase de transição. Resta-lhe fazer qualquer coisa para que sua própria vida pare de incomodar.

31/03/2010

Brio epifânico

Qual é a sua?

A minha é do choro, 
do cantar da alegria,
da dúvida e do fracasso.
A minha aplaude em pé
e cai ao chão quando sofre.
A minha é alvo de outrem:
das línguas, das mãos,
das mentes malvadas
dos corações puros.

A sua não sei,
mas a minha é da dúvida,
da pertinência e até
da ambiguidade.
A minha não tem moldes, 
desenha o próprio.
A minha é covarde, 
como tem de ser.
E se enche de coragem,
aleatoriamente.

Desconheço o tempo da sua
porque o da minha não tem,
migra, evolui, sai de si
volta pra casa e chora.
A minha cresce e aprende
conquista e demora
Ela é drama e tragédia
romance e ação
suspense e terror
só que principalmente
comédia.

O amor da sua, quem sabe?
O da minha existe,
ainda que eu duvide, 
ainda que não percebam,
ainda que vacile,
ainda que permaneça,
ainda que evapore...
O amor da minha existe
e ama cada um que merece
e até os que não.

Ainda não sei sobre sua honra
Da minha pareço bem saber.

19/03/2010

Alterego e queísmo.

         Mudei.
         E não sei analisar sobre qual ponto de vista esta mudança é positiva. Absurdamente intenso foi dado fato, que – sem margem para dúvidas – ouso até concluir ter mudado mais em um ano do que já houvera em outros vinte, por mais contrário às leis exatas da matemática elementar que pareça. Outrossim, não levantaria da cama de um jeito bem mais forasteiro do que os que estava acostumado. O ar que inalo já possui densidade diferente daquele respirado em tempos áureos, não que tais tempos tenham de fato esvaecido.
         O que já experimento outrora não o tinha, portanto as conseqüências infligem danos e constroem vivencias bem mais peculiares do que as antigas. No entanto, isto não me torna excêntrico de forma alguma; todo mundo está aqui pra mudar. Tudo o que percebo é que meus costumes não são mais tão tradicionais como eram, minhas reações não são mais tão compadecidas, e que, mesmo assim, não sofro por isto.
         Desconsiderei, ou apenas deixei passar batido, o peso das escolhas em minha rotina. A paciência de longe é meu forte, a responsabilidade idem; paralelamente eu decidi brincar de ser adulto, então um ano inflou meu ego o suficiente pra perceber como isto é chato.
         Não obstante, o futuro a Deus pertence – o que é de conhecimento popular e verídico – e como se não bastasse, não tenho controle algum de meu destino, de minhas ações ou de minha palavra rude proferida quando algo sai do meu planejado.
Cresce tanto em pouco tempo, muda tanto num espaço comprimido, ademais não consegue alterar o que sempre lhe prejudica: humano mutante limitado.