15/12/2009

27/10/2009

Olfato

Você sabe que alguma coisa mudou na sua vida, quando recebe uma caixinha vinda de longe, e dentro dela vem algo que você esqueceu neste lugar - ainda que um brinco - e uma camiseta vermelha.
 E antes desta camiseta vermelha chegar você recebe a dica: "cheire". Então cheira e sente o perfume.
 É demais pra um coração que anda apertado saber que tem alguém lá longe que ficou com um pouquinho do seu cheiro e que esse mesmo alguém lhe enviou uma camiseta vermelha com o cheiro dela.
 Que conste então, uma epifania é cheirar uma caixa e uma camiseta à 1h00 da madrugada e lutar para as lágrimas pararem, sei lá, tem cada coisa que a gente nunca imagina que vai fazer. E, lógico, cada amor que a gente nunca imagina que vai sentir.

15/10/2009

Consumação

 Vou lhe dizer o que amei:
 Não saber exatamente o que eu estava fazendo desde o começo, não ter a mínima ideia do porquê de se entrar em um ônibus com frio e sono para uma viagem de dez horas. Amei chegar e te encontrar na multidão despretensiosa, enquanto seu olhar seguia o meu, seu sorriso penetrava em mim. Sensação estranha e terna, descer e ser beijado - e você pode bater o pé dizendo que fui eu que te beijei, jamais afirmarei que o fiz! -, então naquele momento a rodoviária parou pra ver dois mundos distantes entrarem em contato.
 Amei beijar sua mão dentro do taxi, mesmo não lembrando depois que havia feito isso; amei ter de chamar dois elevadores; tomar chuva parando o taxi pra você; saber que o ENEM foi adiado "dhy novo"; amei ver você com e sem escova; ser submetido a uma sessão de terapia com Própolis; ser atração turística; saber o que são cinquenta quilos, e o que não são vinte e três; amei ser calado no aeroporto, como nunca amei um "cala a boca" na vida...
 Se eu pusesse cada coisa em palavras, deveria resumir segundo por segundo do que foi ter você pra mim, pois foi a cada instante intenso, confuso e maravilhoso.
 Saiba que há para você o garoto que viveu vinte anos de possibilidades até um instante de consumação, e a vida vale a pena por isso, já diz o professor.
 E de tudo que se passa, resta-me na pele o cheiro de meio-dia: essa vontade de sair e ganhar o mundo, bem quando o sol se abre e dá chances iguais a todo mundo, a ganância pela vida e por todos os sentimentos intensos, que está em sua pele e é uma parte da minha agora. Eu te amo.

09/10/2009

Assimetria da Partida.

Será que hoje é o início
do resto dos dias da minha vida?
Será que amor é ofício?


Confesso, não sabia,
se devia
ir ou ficar.


Será que é romantismo
dizer que senti
dentro de mim o escapismo?


O medo não é troco
dentro do pouco
que vão me pagar.


Lá viverei,
aqui não posso,
chorar.


Estou a chegar!

18/09/2009

Arquivo bienal.

    De fato, se eu (e observe que pelo pronome, mais uma vez o ego ísmo/centrismo imperará no texto) quisesse fazer um estudo cronológico da existência desta página da internet, nomeada pelo delicioso e quase ínfimo verso de Chão de Giz, confundir-se-ia com minha evolução ao decorrer desses dois anos. Principia-se com a criação do blog naquela noite de julho de 2007 e o estabelecimento de sua ocupação na world wide web: uma página vazia
    Uma semana depois, vim a conhecer aquela que seria minha eterna Pierrot, não sem antes pseudonomear-me de Harlequin: fato muito aceito, usado e estudado por mim. Nossa convivência forçada aconteceu apenas no mês seguinte, quando todo o batismo Comédia Dell'art supracidado ocorreu.
   Em setembro do mesmo ano, este antro de fato nasceu, saindo da gravidez nua em que se encontrava e parido com a colagem do texto todo remendado do Plínio Marcos, recém lido e cheio de necessidade de aparecer por aí fazendo referência a mim mesmo. Aquela que me aguenta e ama - reciprocamente - leu e comentou. Comecei a gostar da ideia.
   Seis meses de curso pré-vestibular focados apenas na alcoolização e na descoberta dos horizontes sexuais e antropológicos - absurdo e real, creia - formataram o resultado de não se passar no vestibular para a pública e na consolidação daquilo que eu espalhei aos quatros ventos: a decepção de continuar a viver em Itu e de estudar no lugar que sempre falei mal. Tudo isso na verdade não passava de ser o que eu sempre quis fazer, queria fugir daqui só pra viver minha vida de boemia reflexiva, conquanto ainda tivesse a quem recorrer.
   Voltando à história do meu compilador virtual, a ascensão à vida acadêmica, cujo resultado não foi nada inovador, trouxe-me de novo àquele ímpeto de escrever e ser lido, coisa que o fiz, em fevereiro deste ano que passou. O amigo pra todas as risadas e papos lia, comentava e incentivava - isso tudo sem que eu pedisse - daí fui descarrilhando palavra por palavra. Consegui dar continuidade nisso, só pela grande ajuda do amigo lá de longe e de perto, que sempre achava boas minhas ideias. 
    Aprendia na instituição eternamente criticável os novos conceitos e formas de exploração do código, o que foi deliciosamente útil ao meu intelecto pseudodramaturgico, sempre citado por mim aqui ou acolá. Aventurei-me na prosa: contos, peças, crônicas, slogans, diários (exclusivamente neste texto aqui) e o que mais o humano possa criar nome; e, cônscio do risco, também neste universo poético explorado tão bem por tantos, inclusive pelo meu amigo que dá raiva do tanto que gosto.
  Só um paragrafozinho sobre a poesia: a primeira da vida foi pra minha maior cúmplice e eternamente primeiro amor, mas o texto não foi upado pra rede; o segundo - já aqui - foi escrito pro amor da minha vida que eu ainda não conhecia, obsoleto dizer que já sei quem é e por ela já foi lido. De resto, poetizei para mim próprio e para um ou outro flerte. Fim do parágrafo sobre textos em versos.
  Entrando no conclusivo, dois anos de textos são a minha prisão com a realidade, o meu "eu" refletido de uma forma arquivativa. Quero daqui a 40 anos ler um por um e rir dos meus desencontros e do processo de segmentação da minha personalidade lúdica e lírica. Eu mereço os parabéns vindo de mim, por manter mês a mês, com pouca ou muita produção, o hábito da escrita, para que assim eu nunca fuja dos meus objetivos - sabe-se lá quais - e das minhas ganâncias. 


"Finjo que escrevo para os outros, a boa verdade é que o escrevo para fugir de mim e leio-me para voltar a si." M.A. 

13/09/2009

Algo a dizer aos meus amores:

 Quanta coisa devia agradecer:
 Família, amigos, trabalho, saúde, vida e tudo mais que contém uma existência dessas bonitas de se ver.
 E não é isso que deve ser colocado em pauta, não agora, não sob essas condições.

 Eu, Marcelo, venho humildemente perguntar se sou o único que pensa ter uma vida dessas de Hollywood. Uma novela gravada no PROJAC, onde tudo dá certo no final e provação por provação serve para aprender uma lição nova. Uma deliciosa repercussão da personalidade que passa pela nossa frente da maneira mais despretensiosa e que desperta aquela  curiosidade de saber "quem sou eu aos olhos dos outros?"
 E é bem isso aí. Eu fiz, no mínimo, três escolhas de suma importância na minha vida e sofro no cotidiano as consequências destas. 
 E todo o motivo deste texto é agradecer meus amigos e familiares por terem tamanha paciência comigo, após refletir que nem eu mesmo me aguento e entendo

10/09/2009

Caminho.


                                                    

03/09/2009

Um gosto pela vida

Já passei agosto esperando setembro e bem me lembro.
 Se pusessem o menino em frente ao espelho e o reflexo fosse maior?
 Quem se vê projetado nos próprios sonhos, tem a habilidade de tecer seus próprios tapetes para limpar os pés da sujeira da decepção.
 As coisas são bem assim: o homem pensa ter certeza do que será amanhã simplesmente pelo subterfúgio do que fora ontem.
 Um copo cheio de prolixidade no café da manhã não faz mal a ninguém: aviva os ânimos subjetivos que há muito não circulam pela corrente sanguínea, dando aquele gostoso comixão e vontade de cuspir palavras uma a uma, e modificá-las os sentidos.
Nada tenho vez em quando tudo, tudo quero mais ou menos quanto.
A grande beleza é esquecer momentâneamente o controle que temos sobre nossa vida e que as maiores decisões resumem-se em ficar parado ou não.
E como eu não nasci pra dar bandeira:
Quero viver, quero ouvir quero ver.

01/08/2009

Até morrermos, a vida é um texto cheio de vírgulas, travessões e reticências...

Talvez um dos prazeres mais inenarráveis da vida de um homem de vinte anos seja ficar em casa sozinho numa noite de sábado, comendo pizza de quatro queijos, bebendo coca-cola, sentado em frente do computador, com um fone de ouvido dos grandes, cantando bem alto Adriana Calcanhotto, Mart'nália, Seu Jorge, entre outros; além de sonhar com o amor distante e possível um dia desses e rir feito bobo da própria vida e entender porque as mulheres valorizam tanto esse tipo de coisa - depois de uma semana que começou com uma despedida - e um grande "não sei" pra resposta de toda pergunta, e a vontade quase que inexplicável de mandar essa inabilidade de lidar com palavras difíceis, líricas e estilísticas ir se danar, e de escrever um texto - metaforizando a vida real - sem um ponto final que seja...

27/07/2009

Peças de um Quebra Cabeça só


Eu queria escrever um texto.
Não só um texto, mas um apanhado geral dos meus sentimentos, à medida que ministro doses homeopáticas de lirismo e de amor. Nem ponto de partida eu acho, daí sigo a antiga dica de uma antiga professora de Português - talvez a única partindo desta que tenha servido - começar a escrever sobe não conseguir escrever.
Daí as ideias pintam e bordam, de brincadeira com minha cara, e chegam de mansinho tomando conta do recinto, afim de provocar curiosos efeitos e um misto de "o que é que eu quis dizer mesmo"?

Nesse meu texto eu queria colocar tudo o que eu amo. Dizem que as palavras são como um elástico que estica pra sempre e em todas as direções, sem nunca arrebentar. Mentira, não dizem coisa alguma, quem disse fui eu e agora. Tenho que parar com essa mania de achar que minhas metáforas não serão boas o suficiente se não partirem de outrem.
Mas voltando no que eu amo, eu acho que colocar tudo o que se ama num texto só é babaquice, por isso eu queria colocar nesse aqui apenas as PESSOAS que eu amo.

Nem esperem que eu vá citar uma a uma, não sou disso, e nem enumerar qualidades ou fazer um daqueles textos genéricos dizendo que eu amo todo mundo e enaltecendo a importância destes na minha vida - apesar de serem.

Meu egoísmo vai me fazer falar de mim mesmo o texto todo, e eu só queria escrever um texto pra todo mundo. Só que todo mundo sabe que eu sou bem assim, bem cheio de mim morando no meu plantetinha de fantasia.

Mas meu planeta precisa de luas, antes que as marés dos meus sentimentos cubram cada um dos meu sonhos decorrente de tamanha intensidade, ou fiquem estáticas no medo de ferir a natureza local e perder a própria identidade, não mais sendo reconhecido.

Preciso de gente pra me agitar, e de gente pra me fazer ficar parado. E minha missão tem sido colecionar paulatinamente novos amores. De perto ou de longe, semelhantes ou completamente distintos, irritantes ou serenos.

Eu só queria um texto pra explicar e encher de nhé-nhé-nhém uma das minhas máximas pessoais: que eu sou completamente "incaracterístico" sem os meus amores. E nem pensem que vão se livrar de mim num plano secreto pra me deixar vazio.

11/07/2009

16/06/2009

Uma palavra pela outra.

-Jura!?
- Juro. É tudo o que eu sempre quis.
- Tipo o quê?
- Me dá carinho, me dá atenção, me faz rir.
- Mete bem?
Espanto:
- Em !?
Cara de coisa mais normal do mundo:
- Perguntei se faz o serviço direito.
Alteração nas sobrancelhas:
- Eu aqui falando de amor e você vem me falar em putaria?
Serenidade:
- É lógico que não. Desde quando sexo é putaria? ... Tá, eu entendo que vulgarizam isso às vezes...
Interrompe:
- ... Ainda mais quando usam termos chulos, feito "meter"
Pequena alteração:
- Ai! Enjoei desse seu puritanismo, sabe!? É só uma palavra diferente pra designar a mesma coisa. Se eu tivesse falado trepar, foder, comer, pimbar, transar... daria no mesmo!
- Chega!
- Chega nada! ... Do mesmo jeito que se eu tivesse perguntado "relaciona-se bem?" "executa o ato com maestria?" Dá tudo no mesmo.
Pequena pausa, réplica:
-Eu só não te dei liberdade pra tratar o MEU sexo por esse termo. O teu você trata como quiser, o meu não.


Marcelo entrou na estação de Metrô do Anhangabaú. Olhou pro celular "16:02", tinha tempo. Procurou pela fila do lugar em que se compram os bilhetes pro metrô. Vazia. Pegou com cuidado a carteira do bolso da frente e contou moedas: não tinha R$ 2,70 certeiros. Sobrava apenas a última nota de 50. Com mais cuidado ainda, aperta-lhe na mão, é o próximo a ser atendido.
- Eu quero uma.
O homem do guiché tinha uma expressão séria, inabalável, de repulsa e total vontade sair correndo daquele lugar. É claro que ele queria uma, ou duas ou tanto faz. Passasse o dinheiro de vez, ou ele seria obrigado a falar quanto custava? Viu que seria, apesar de vistosos e gigantescos letreiros informando o valor da passagem de metrô. Apesar de todo mundo em São Paulo saber quanto custa UMA passagem. Mesmo assim, o rapaz na frente dele mantinha a mesma cara vazia e de sorriso forçado. Devia ser do interior... é lá que riem assim feito idiotas. Deu-se por vencido:
- Dois e setenta.
Pronto! Tudo correra como o planejado. Marcelo triunfante pegou os cinquenta e passou pelo pequeno espaço. Agora seria a hora de soar simpático e, meio de viés, pedir desculpa por não facilitar o trabalho do cara, obrigando-lhe a contar quantas notas fossem necessárias ao devolvê-lo a diferença. Mas nem tudo sai como planejado, houveram lapsos na fala do rapaz:
- Eu só to sem troco, cara...
Era a iminente chance daquele homem da bilheteira se vingar do patético mocinho do interior.
- Troco é o que eu vou te dar, você está sem trocado.
E restituiu-lhe a diferença.




Ajoelhou-se, tirou uma pequena caixinha do bolso. Fitou-a com paixão e fulgor, tomou um fôlego e arriscou:
- Roberta, vamos juntar nossos trapos?
A moça no início do processo já preparava sua reposta positiva, ao ver o amado ir ao chão, procurar pelas alianças... quase disse o "sim" ao ouvir o "Roberta" no início da frase. Mas engolira em seco... "Juntar nossos trapos" !?
Fez-se poucos segundos de pausa. Que pra Roberta pareceram dois minutos e pra Adriano duas horas.
Ela só cuidava em pensar uma coisa: como Adriano podia ter estragado um dos momentos mais especiais da sua vida? Não podia dizer a frase padrão, como faz todo mundo, e como é deliciosamente romântico? "Quer casar comigo?" ou até um despretensioso e fofo "Casa comigo?"... mas JUNTAR TRAPOS!? Ela não era rota pra andar por aí em trapos. Ela não é colcha pra juntar retalhos.
Ele só cuidava em olhar nos olhos da amada, sem nem a vaga ideia do que acabara de dizer, pra ele foi um pedido normal, aliás, se fosse contar pra alguém contaria com a frase padrão. De fato o que passava na mente do rapaz é que a amada titubeava, e isso foi o calvário.
O silêncio finalmente fora quebrado, Roberta voltou a si:
- Não.
E continuaria sendo "Não" enquanto tudo não corresse nos conformes. Onde já se viu? Daí na hora da pergunta do padre ele responde "Afirmativo" !? Ela não teria brio o suficiente pra aguentar outra, na certa enfartaria, ela precisava mudar isso o quanto antes.



- Clica lá no vídeo. Banda "Rockers", acho que a música é "Rage Lovers".
- Cliquei... Nossa!... Que massa!
- Legal mesmo, !
- Sim!! Adorei isso que ela faz no final da estrofe. É lindo de se ouvir. Como chama mesmo?
- Voz.

01/06/2009

Apavorados

E o trato qual é ?
É não falar de amor, nega.
Mas como não falar de nós?

Como esquecer esse pavor que se apodera de tudo?
Desconsiderar juras e planos?
Sei lá se nasci assim,
sei lá se fui criado,
se me calejei ou simplesmente escolhi:
Eu sou realista.

Até demais, até o ponto das vísceras retorcerem-se de pânico do futuro.
Porque eu sei que dia a dia eu vou lhe amar por uma coisa diferente.
Vou lhe admirar,
por coisa e tal.

Do âmago me sai um juramento,
uma jura que põe em vão
o controle sobre a eternidade.

E você diz:

"Simplesmente não precisa,
é lindo mas não realiza
o controle que temos de nós.
Sabemos do agora, não do após."

Ai, menina, lhe amo mais agora.

E você, dominando com maestria a arte do juramento
jura diferente, mostra a melhor opção pro momento:

"Eu lhe juro que vou lutar até não ter mais jeito pra que tudo dê certo."


Entre juras e lutas, existem centenas de quilômetros.
Entre um homem e uma mulher, absolutamente nada.
De hoje em diante:

D E S P R E
T E N S I O S A
M E N T E

10/05/2009

Intitulável.


Pode parecer que eu não me lembre que foi você que aos 3 anos me fez apto a ler. Também pode dar a entender que não foi por sua causa , por ter gravado a minha fala em uma fita cassete, e eu ter me impressionado tanto com o "ouvir"; que eu goste tanto de me expor.
É compreensível que pareça que eu me esqueci da fantasia carnavalesca de Cebolinha na segunda fase, e a de Chapolin na terceira, do aniversário de três com o bolo do Bart Simpson e minha cara sobre ele - ainda rio de lembrar - ou o de quatro anos das Tartarugas Ninjas, ou até o de cinco naquele salão enorme, junto com o primeiro da minha irmã, e  os enfeites que você mesma preparou da Turma da Mônica.
Não, não apaguei da minha mente você me levando ao SESI a pé no prézinho, de quando perdeu-se meu cartão de entrada, de mim dançando "Azul é a cor do país", ou da minha formatura da terceira fase, onde apareço coçando a bunda no vídeo.
De voltar todos os dias da escola e você me deixar no quarto assistindo TV Cultura, de você cantar as músicas do Castelo -tim-bum comigo ( aliás, de ter me dado o CD), das festas juninas que você foi e me viu dançar com as menininhas que eu gostava, de quando você fez "A feira do Livro" na escola e todo mundo sabia que era a minha mãe , e vendendo livros!
Há de se recordar também o começo das minhas aulas de teatro, e você insistindo que não, e eu que sim! E você entendendo que sim! De todas as peças que você foi assistir, rir, chorar e me encher de críticas depois. De quando você disse: "Ou vai pro SENAI ou vai trabalhar!" , de quando você pediu 25 reais pra tia pra eu poder fazer a prova da Escola Agrícola, de você ter sofrido comigo na época da WS, de você ter me criticado, censurado - obviamente pro meu bem. 
Principalmente de você ter me apertado contra a parede aquele dia pra eu contar a maior angústia que eu carregava comigo, de ter chorado tanto, de ter tirado o meu chão e, principalmente, de NÃO TER recusado a me dar um abraço apertado e cheio de amor, apesar de eu ter feito algo completamente abominável ao seu julgamento. Também da crise que passamos por esse ano passado, por eu ter parecido distante, preso em algum problema. 
Todavia,  você me arrastava pra frente mesmo que pra isso tivesse que mexer lá dentro do meu psicológico e ser dura, talvez seria a única maneira de você me entender. E tudo me machucava, pior: machucava a VOCÊ que é a pessoa que eu nunca quis ver mal! E daí no alto do nosso desespero calado, cada um em seu canto, tivemos conversas, você se abriu , contou da sua preocupação com o julgamento alheio e eu disse o mesmo. Mas chegamos num consenso e não precisamos tocar no assunto de novo.
Não mais, porque você me entende e me completa. Sem você eu não teria sequer a capacidade de sair do chão e sonhar adiante. Eu sou um reflexo teu no espelho e sou eternamente grato por você ter me dado tudo o que você tem de melhor: seu caráter, sua gana, sua emoção aflorada, sua compaixão, sua fé e seu amor.
Tanta coisa passou , tanta coisa acontece e tanta coisa há de chegar. Eu só quero que você saiba que eu virei adulto e consequentemente chato, e deixo passar boas oportunidades de falar boas coisas pra você. Aqui no meu refúgio eu consigo concatenar melhor as ideias pra te dizer tudo o que preciso. 

E eu só preciso dizer que te amo imensamente , mesmo não sendo metade do amor que você tem por mim, e que a cada passo que dou penso em você e em qual conselho seu seguir. Óbvio que não é só um domingo qualquer pra homenagear-lhe. Fica a intenção.

Eu te amo Sueli Aparecida de Oliveira Aglio

02/05/2009

Sobre mim enquanto Ser, Assunto próprio e Tipo psicológico

Não é mais dúvida pra mim e pra ninguém a necessidade extrema que eu tenho de autoafirmação. Ontem tive um momento bacana no que diz respeito a isso. Eu estava há tempos com palavras entaladas na goela, precisava tirá-las de lá.
Palavras essas, referentes a mim. E que atire a primeira pedra a pessoa que ao conhecer amigos em potencial, ou os mesmos de sempre, não regurgitam enunciados e enunciados sobre si ! Sou bem do tipo, não fujo à regra, invejo quem foge.
Então tenho que vir pra cá, meu velho blog de guerra falar de mim. É... não mais!... Ok... não mais tão frequentemente. Sabe o que é? Eu me irritei com o fato de ver que todos os textos daqui eram sobre me , myself and I ! Daí parei, surtei  - pra variar -, conheci pessoas, passei por situações e voltei pra cá. Então pra fechar com maestria eu vou falar realmente sobre mim ( e finjam que acreditam que é a ultima vez!)

Certa vez, bem no meu começo de orkut, eu encontrei Carl Jung e sua psicologia. Ele divide os seres-humanos em 16 tipos psicológicos predeterminados, achei demais e fiz o teste. 
Não me aprofundei em estudos sobre a teoria por ser um preguiçoso, o resultado me bastou. Eis aqui o teste
Eis aqui também, pra quem realmente se interessar por mim, meu tipo psicológico dentre os 16: o ENFP


E prometo ser mais lírico na próxima.

21/04/2009

Two Lads and a Lady

Are you bad, mad or sad?
Tell me Lad the way it is.
The crazyness you had
To let people be like this.

From where did you appear?
She was mine in that day.
You've robed  my dear.
We're in the same way.

However my envy
comes not from your acts.
Your music have made me
Writing a song from facts


She is the one for you.
I'm able to know, thus
You've impressed me too, 
but don't play with us

Lad, you are passing by
I'll stay in this scheme
You've made the lady cry
I'm trying to do the same.

20/04/2009

Pra não dizer que não ligo pra isso aqui...

Eu perco o chão.
Eu não acho as palavras.
Eu ando tão triste.
Eu ando pela sala.
Eu perco a hora.
Eu chego no fim.
Eu deixo a porta aberta.
Eu não moro mais em mim.

Eu perco as chaves de casa,
Eu perco o freio.
Estou em milhares de cacos,
Eu estou ao meio.
Onde será
Que você está agora?
Adriana Calcanhotto - Metade

10/04/2009

Meme Musical

Bom, eu acho que já recebi esse meme de no mínimo duas pessoas e até agora não tinha me dado ao trabalho de respondê-lo, e , acreditem, DÁ TRABALHO! Enfim minha gente, as regras são bem simples:

1- Escolher um cantor(a);
2-A cada pergunta feita, terá que escolher um título de uma música e colocar uma frase da música como resposta;
3-Por último, repassar a 7 blogs.

Enfim, eu pus mais do que uma frase, para se encaixar no contexto, e escolhi uma cantora que admiro há um tempo, pela sua capacidade de trabalho com as palavras em uma língua tão fria como o Inglês ( é o que eu acho), e por todo seu trabalho cênico, estudo e dedicação. Pouca gente a conhece, ou sabe que a conheçe.


Kate Bush

 

1    1.    És homem ou mulher?

“Because we're woman.

No, we never die for long,
While we've got that little life
To live for, where it's hid inside.
No, we never die for long,
Oh! Woman, two in one,

There's room for a life in your womb, woman,
Inside of you can be two, woman,
There's room for a life in your womb, woman,
Mama woman, aha!”

[Room for the Life]

2. Descreve-te:

Now hounds of love are hunting.
I've always been a coward,
And I don't know what's good for me.

Here I go!
It's coming for me through the trees.
Help me, someone!
Help me, please!

[ Hounds of Love]



3. O que as pessoas pensam de ti?

Some say that knowledge is something that you never have.
Some say that knowledge is something sat in your lap.
Some say that heaven is hell.
Some say that hell is heaven.

[Sat in your Lap]

4. Como descreves teu ultimo relacionamento:

“She wanted to test her husband.
She knew exactly what to do:
A pseudonym to fool him.
She couldn't have made a worse move.

She sent him scented letters,
And he received them with a strange delight.
Just like his wife
But how she was before the tears,
And how she was before the years flew by,
And how she was when she was beautiful.
She signed the letter

"All yours,
Babooshka, Babooshka, Babooshka-ya-ya!”

[Babooshka]


5. Descreve o momento atual da tua relação:

“Nobody knows about my man.
They think he's lost on some horizon.
And suddenly I find myself listening
to a man I've never known before,
telling me about the sea,
oh his love is to eternity.”

[The Man with the Child in his Eyes]

6. Onde querias estar agora?

Too long I roam in the night
I'm coming back to his side to put it right
I'm coming home to wuthering, wuthering
Wuthering Heights

Heathcliff, it's me, I'm Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in in-a-your-window

[Wuthering Heights]


7. O que pensas sobre o amor?

“Nobody else can share this.
Here comes one and one makes one,
The glorious union.
Well it could be love,
Or it could be just lust,
But it will be fun.
It will be wonderful.”

[Feel It]


8. Como é a tua vida?


“Ooh, I just know that something good is going to happen.
And I don't know when,
But just saying it could even make it happen.”

[Cloudbusting]


9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo:

“And if I only could,
I'd make a deal with God,
And I'd get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.
If I only could, oh...”

[Running Up That Hill)

10. Escreva uma frase sábia:

“When the actor reaches his death,
You know it's not for real. He just holds his breath.
But he always dives too soon, too fast to save himself.”

[Wow]

 

 

Bem, aqui vão os nomes , que são 2 e não 7 :)

Bárbara Araujo do Relicário

Tato do Num Café Pequeno

 

Obrigado pela paciência!

01/04/2009

Árcade nº 20




Sim, eu estou distante.
Mas é que tanta coisa aconteceu este mês. Tantas vontades passaram por mim, tantos sonhos não foram realizados e outros recriados. A intenção deste texto era pra ser sobre ter vinte anos. Contudo, passei da data, chego no dia da mentira pra dizer coisa ou outra.

Tanto faz.
Na boa, tanto faz muita coisa mesmo, escrever sobre mim tinha se tornado um hábito, não que não o seja, e não que eu não esteja o fazendo. É que parece que tantas oportunidades passaram simplesmente por eu não estar afim. É o velho fio da inspiração, já dita inesgotável. Apenas reflitemos que nem tudo que é inesgotável é abruptamente utilizado. E o que não é, é o mínimo necessário para nossa existência, a água por exemplo.

As águas de Março.
Fecham o verão e prometem vida ao meu coração. Eu estava com saudade, admito, do friozinho da chuva. Tolo! Sempre esqueço que essas coisas me fazem lembrar o quanto faz falta alguém pra abraçar e aquecer-se. No dia de São José eu fiz vinte, e olhei pra trás e pra frente. Vi o quanto passei, meus traumas, meus instintos, minhas covardias. Em seguida reavaliei meus desejos, meus ímpetos, minha arte. Paira um grande não sei em tudo. É um mistério profundo, é um queira ou não queira.

Se há uns dois textos eu estava barroco, na certa agora estou neoclássico.
Sem bucolismo, mas com uma necessidade de fuga gritante! Destino?

Pau,


pedra,


fim do caminho...

17/03/2009

To be.

"Brincar de ser feliz é mais do que inventar. É mais do que pensar, falar e agir. Brincar de ser feliz é simplismente brincar.
O conceito de uma brincadeira não exige grande esforço para se entender: é brincar por brincar, fazer por fazer(eco!)! A felicidade minha, sua, nossa está aqui - do começo ao fim do jogo de pique, taco ou bola. Correr, cansar, cair, gritar, brigar.
Ser feliz é do verbo estar, felizes os ingleses que não separam uma coisa da outra!"

Texto meramente obrigativo (neologismo). 



12/03/2009

Anjo Barroco

Entre o bem o mal,
Divino e carnal,
Certo e errado,
Conivente e pecado.

Anjos barrocos:
São gordinhos,
São loirinhos,
São bundudos.

Então clamo: "Deus:
Apagues de mim
A vontade o grito
A carne, o fim"

Mas quero a carne.
"Deus, tanto quero!"
Preciso tanto quanto
minh'alma e coração.


E se vierem juntos então?
Sei que longe estão, 
mas quero, de coração,
a divindade e o tesão.




08/03/2009

Triste constatação

Há uma inverdade social nada agradável. O homem (masculino) não foi feito para mostrar cultura sem ser julgado como homossexual. Tem de ser inteligente, mas de sua maneira rústica. O agravante é esse julgamento partir, na maioria das vezes, das mulheres. Antes de um despeitado do mesmo sexo do que de uma insegura pretendente
O porquê disso tudo? Sabe-se lá!

Feliz dia das mulheres  =)

27/02/2009

Distant Worlds



Enquanto Edgard saía para trabalhar, contemplava o céu e as formas abstratas púrpuras de mexilhão de nuvens. Edgard sabia que no mundo distante do seu Alice olhava o mesmo céu... com outras gravuras, outras vontades, outros gritos pitorescos de imagens naturais próprias desse mundo, ainda sim de mundos diferentes.
Alice sentada no meio fio olhava carro por carro à medida que chiava baixo pela demora do ônibus. Forçando a vista para discriminar o número 11 do 14, sem querer olhou o alto da ladeira, e de lá viu o horizonte, e do horizonte o céu, e do céu as nuvens. Pensou em Edgard e no mundo dele, no desconhecido mesmo mundo dela.
Alice conheceu Edgard por carta. Sim, por carta. Certo dia, o rapaz comprou um produto bem cretino de uma empresa longe - bem longe ... em outro estado! - e ao notar o mal funcionamento mandou uma carta para a empresa; muito mal criada, diga-se, na qual reclamava de sua aquisição. Truque do destino é que Alice era vizinha da tal empresa, e Edgard confundiu o número do endereço da empresa "11" com o "14" da casa de Alice. O fato é que a moça não gostou nada do que lera e mandou a represália para o destinatário, dizendo que o azar era dele por comprar de um lugar tão longe e que tivesse mais discernimento entre onzes e catorzes.
A tréplica do moço foi seca: "Desculpa moça louca do 14... PS: Não quero gastar mais selos com você, meu e-mail é blablabla@mimimi.com". Jogada de mestre, aliás! Vai que a moça fosse potencialmente bonita. E era. E danou-se!
Internet sendo um céu azul-bebê-orkut, cheio de nuvens imaginárias! É um céu vazio, talvez até de cor, que a gente pinta como quer. Eles pintaram-se, completaram-se um ao outro, ao bel prazer. Da maneira que acharam que devia ser tal detalhe um do outro. Riam quando acertavam, surpreendiam-se positivamente quando erravam. Eram dois seres na frente de uma máquina sem entender nada de si mesmos. E por estarem ambos nessa busca incessante pelo "eu", encontraram o "eu e você". É , de certa forma, o que acontece com as pessoas que se conhecem em presença física, só que com a diferença de pintarem-se um ao outro com a cor da própria paleta.
Edgar entrou no trabalho, Alice foi para a escola. Pensavam no distante amor às vezes, e tão mais às vezes isso era bom, e tão tão mais às vezes isso era ruim. O futuro para eles era a maior incógnita, tal qual a distância que teriam que percorrer para se verem, se tocarem... se amarem!
Dois mundos tão distantes, morando no mesmo mundo, intersecando-se, compondo-se. No fundo, no fundo mesmo, só sabiam de uma coisa: mais do que serem distantes, eram mundos!

20/02/2009

Meme.

A Lívia Brito, do Mera Distração, é uma fofa e me mandou isso aqui. Lembra aqueles questionários de caderno, lembra também aquela corrente de e-mails que eu e meus chegados amigos internáuticos respondemos. Achei o nome meio esquisito, e demorou pra sacar de quê se tratava, mas taí, pra quem se interesse por mim:

1. A última pessoa com quem falou hoje: Não sei, conta internet? Estou falando com a Marília e o Tiago no msn – pra variar – mas se for no âmbito físico (?), foi minha irmã.

2. A última coisa que falou: “Saicu”. Sim, isso é sério, temos um relacionamento todo embasado em carinho e palavras sutis.

3. O último pensamento: “Coo! Preciso postar alguma coisa... Acho que vou pegar aquela prova de Crônicas que fiz na aula de Leitura e Redação semestre passado e passar aqui... Meme? Vou ter que mandar um barato assim igual? Ufa! Aquela prova AINDA é meu ultimo recurso!”

4. A última pessoa com quem brigou: Na boa? Não sei mesmo. Eu brigo com as pessoas todo o tempo mas nada que não volte ao normal, acho que acostumaram-se comigo! Se for briga de porrada, saí no tapa uma vez com um otário que mora na rua de cima aqui, acho que eu tinha 14 anos...

5. A última pessoa com quem se reconciliou: O Clayton, mas não estávamos brigados.

6. A última pessoa que falou de Deus pra você: William P. Young, e o fato de eu ter que ler um livro pra “ouvir” sobre Deus me faz sentir saudades do Tih. Oi Tih!

7. O último lugar que você gostaria de estar: Qualquer um que me deixasse só.

8. O último filme a que assistiu: Um que passou na Record ontem de um tenista Inglês apaixonado por uma Americana, achei tão babaca.

 9. O último livro que leu ou está lendo: Estou lendo A Cabana de Willian P. Young (entendam a 6 agora), e preciso ler trezentos e cinquenta e oito até julho.

10. O último presente que ganhou: Um postal da Mandy, lá da Holanda, a foto é de um monte de camisinhas penduradas no varal. GENTE???

11. A última coisa que gostaria de estar fazendo: Não faço idéia, sério.

12. O último telefonema feito ou atendido no seu celular ou telefone: Uma tentativa da Marília de falar comigo no meio da aula ontem,  e três toques da Bárbara, eu atendi, caiu.

13. O último conselho que deu e pra quem deu: “Na boa, vá pra Cerquilho no Carnaval” E acho tendência se jogar no povão e fazer o “average”.

14. A última vez que chorou e por que: Faz um mês e pouco... Crises existênciais. A próxima tá prevista pra semana que vem, durante ou depois do Carnaval.

15. O que faria hoje se fosse seu último dia de vida: Escreveria e contaria a todos o que se sente ao saber disso.

Então é isso, minha gente, nunca consigo dar respostas objetivas ou construtivas. Mas  fica ae a intenção.Ah! Vou tenho que indicar mais três! ( Sei que na verdade são quatro, mas sou RBD não sigo los demas)

Tiago Faller, do Eclesiastes;

Marília Monteiro, do Uma Coca quente;

Mariana Souza, do Nona, ordinal feminino para nove.

 Fui.

11/02/2009

Posso contar um segredo?


Parando pra pensar:
Tenho um ótimo emprego;
Estudo em um curso que me condiz;
Tenho amigos que eu amo e me amam;
Minha família é minha base;
Sinto admiração e amor reciprocamente por uma mulher.

*
Pensando sem parar:
Meu emprego afoga-me em revolta;
Meu curso me deixa vazio;
Eu dependo demais dos meus amigos;
Minha família consegue me irritar;
A mulher está muito longe geograficamente.

*
Sem parar e sem pensar:
Sinto-me bem com o emprego, mal com o que passo lá;
A faculdade me acrescenta, mas me sufoca;
Meus amigos são minha base, e estou em queda livre;
Minha família é meu reflexo, ou vice-versa;
Deus teve um propósito em me colocar aqui e a ela lá.

Qual é meu conceito de felicidade?

04/02/2009

Tanto Forte

Cassiana amava João.

Mas amava tanto, tanto e tanto, que não o conhecia.
O amor que ela tinha por ele era forte, forte tão forte que a cegava.

João amava Mariana.

Mas amava tanto, tanto e tanto, que a odiava.
O ódio que ela tinha por ele era forte, forte tão forte que não o fazia viver sem ela.

Mariana amava Raquel.

Mas amava tanto, tanto e tanto que transava com ela.
O tesão que ela tinha por ela era forte, forte, tão forte que a fazia o papel-higiênico escorregar.

Raquel amava Lídio.

Mas amava tanto, tanto e tanto que era casada com ele.
O companheirismo que ela tinha por ele era forte, forte, tão forte que os dois tinham um filho.

Lídio amava Lucas.

Mas amava tanto, tanto e tanto que era um pai curuja.
O sentimento que ele tinha por ele era forte, forte, tão forte que o desesperava ver seu filho morrer.

Lídio amava Pinóia.

Mas amava tanto, tanto e tanto que comprava pó dele todo dia.
O vínculo que ele tinha com ele era forte, forte, tão forte que ele começou a dever e foi baleado.

Pinóia amava Cassiana. 

Mas amava tanto, tanto e tanto que tentou conquistá-la
A paixão que ele sentia por ela era forte, forte, tão forte, que fingia que seu nome era João.

28/01/2009

A pedra no rio.

O ano era algum em torno de 1930. A moça era jovem, tinha dezesseis ou dezessete quando casara. O marido era mais velho, beirava os vinte e seis ou os vinte e oito. Ninguém sabia ao certo. As más e sinceras linguas diziam que a pressa no casamento aconteceu pela desonra da moça. Boato ou não, havia acontecido e ela pegou barriga.
Os patrões do rapaz deram moradia e função a ambos. Ele carpinava, roçava, ajudava na lavoura e ordenhava os animais. Ela ficava na casa grande, fazendo companhia e satisfazendo os caprichos da jovem senhora. A barriga crescia a cada dia.
Uma das funções da rapariga era lidar com louças e roupas, trabalho o qual lhe satisfazia, pois ia pra beira do rio, com o céu e a imensidão do mundo [nada interessantes a ela] acima. De bacia na mão - o alumínio alumiava-se pelo sol - cantarolava uma das canções que ouvira da ama mais velha. Usava a barrigona de apoio para algumas peças de roupa, enquanto esfregava uma na outra de cócoras.
A menina gritou por ela lá da casa grande, a moça soltou um resmungo baixo que se misturou com a canção, olhou e levantou. O barro estava molhado, escorregou e caiu sentada.
Foi grande a comoção -ainda sim amenizada, pois a parteira da vila estava próxima da margem - daí então um pulo pra que se aglomerassem.
- Caiu ? - dizia o marido chegando - Como?
- Sentada. - a parteira fitou-o com repulsa - Afasta, afasta. Tráz a tesoura lá de dentro, esquenta ela antes.
O jovem saiu ligeiro, a rapariga berrava as dores.
- Esse bucho é de oito mês. Quando ocê deitou com ele que parou de vir as regras?
A moça esitou. Dizer pra própria mãe coisas do tipo não era de seu agrado.
- Dispois da quermesse de Santo Tonho. Antes do casório.
A velha senhora engoliu o sermão, saber que a filha tinha sido desonrada não era mais novidade, apenas confirmação.No entanto foi depois do que imaginara que tivesse sido. Fez as contas e disse:
- Então é bucho de seis. Mesmo assim caiu sentada, tá coroano já. Vo ter que tirar.
Do alto de sua inocência e sofrimento a filha perguntou:
- E vai sair por onde?
Mãe conhecia filha, e respondeu firme e tradicionalmente.
- Pelo mesmo lugar que entrou.
Foi um susto.
- Mas como? Vai arreganhar?
A senhora então pegou uma pedra próxima e atirou no rio. A moça observou. Em seguida a póetica explicação.
- Vês? A água abre, agita pra pedra passar, mas depois que passa, a água fecha e volta tudo como era antes.
Tudo o que precisava ser sabido, já era. As dores aumentavam, a dificuldade também. De quando em quando entre urros a jovem perguntava
- Vai demorar muito?
O marido voltava com o pedido, foi difícil esquentá-lo, mas antes ainda foi mais dificil descobrir de que se tratava uma tesoura.
- Vai demorar muito? - insistia a rapariga.
A mãe ignorando, terminou e puxou. Gêmeas. Mortas. Usou a tesoura nos cordões, arrancou a placenta. Jogou tudo no rio. Olhou para o marido e fez com os dedos o número "dois". A rapariga intrometeu-se
- Vai demorar duas hora ainda??

23/01/2009

Conselho X Consciência.

Perguntei:
- Não quero mais viver assim! O que eu faço? Socorro!
Responderam:
- Se ela voltar com isso, chama num canto, estufa o peito e manda a real. Nem que suas próprias palavras lhe machuquem.


Sou uma vergonha pra classe teatral.

21/01/2009

Estética

Tem coisas as quais a gente sinceramente sabe que não nasceu para, certo?
Uma delas, em minha vida, com certeza é tudo o que tange o conceito de artes plásticas. Eu até consigo apreciar uma boa obra de arte, uma escultura e uma foto quando vejo, mas definitivamente não possuo o dom para fazê-los, sequer pra comecá-los!
Estou dizendo isso porque sentei aqui na frente desse computador, super de boa, pra procurar aprender um pouco sobre webdesign ou essas coisas do tipo, ou então encontrar imagens que me agradassem para meu blog. E é aí que encontrei a dificuldade. Eu sou tão hiperativo/ indeciso que olhei quatrocentas e oitenta e três mil e cento e vinte e uma imagens e não escolhi nenhuma. Minha idéia pro Meros Devaneios Tolos é colocar algo que faça jus ao seu nome. Daí dei uma escafurchada na internet em busca de um template ( tipo, o formato do blog) pronto. Encontrei dois em um blog dedicado somente a isso Eu achei as duas mais bonitinhas, pois, reafirmo, entendo patavinas dessas coisas de plasticamente correto. Uma tem o nome IDEIA e o outro PENSAMENTO, tudo a ver com DEVANEIOS, diz ae?
E agora to postando aqui ainda indeciso, com um template aberto em cada aba do Chrome. Não, não vou fazer uma enquete. Não, não vou pedir a opinião de vocês. O blog é meu, uai.
Enfim, a cada dia mais eu acredito que nasci pra escrever e pra fingir, e não pra entender sobre coisas estéticas. Parabéns ai pra quem consegue.

20/01/2009

Entrelinhas de um criado mudo.

Eu acho que tenho certeza daquilo que eu quero agora; daquilo que mando embora;
daquilo que me demora.
Eu acho que tenho certeza daquilo que me conforma; daquilo que quero entender
e não acomodar com o que incomoda.
Não acomodar com o que incomoda,mas...
Acordava do mesmo jeito de sempre: feio, descabelado e sem um pingo de vontade de viver.
Vivia do mesmo jeito de sempre, também pudera, sua vida era completamente sem graça... Pra ele!
Descrevia-se na terceira pessoa, por achar bonito. Dizem que essa mania não passou ainda, não por enquanto. Era vago em suas palavras, pra não se denunciar, não se expor, não ter que dar satisfações.
Brigava constantemente com quem mais amava, amava constantemente quem mais brigava.
Chorava.
Sentava em frente uma máquina praticamente todos os dias da sua vida, o dia todo, aproveitando dela apenas as pessoas que faziam o mesmo.
Precisava de um banho frio, um espelho, uma surra do destino. Precisava de distância de casa.
Reencontrou a si mesmo. Via uma criança que deixou de lado seus brinquedos pra viver uma vida muito perigosa. Via que deixara sua melhor companhia pra trás.
Viu seu sonho dos onze anos. Tudo o que queria ser jogado ao léo, pois concluiu o melhor possível: desistir de um sonho não é deixar de lutá-lo, mas sim deixar de fazer o que está a seu alcance, paulatinamente, no empenho de realizá-lo.

E quando eu vou, é quando eu acho que: onde é que eu tô é pouco e tanto faz.
Seja o que for, seja o que surge e some.
Seja o que consome mais.
Seja o que consome mais.
Faz...

Num belo dia, decidiu fazer a maior loucura geográfica da vida dele, e foi. Viu o que precisava ser visto: si próprio.
Precisou reconhecer algo parecido com que se tornaria se não tivesse abandonado suas convicções no meio do caminho. Veio uma dor tão grande, porém não aquela que lateja. Era uma que gritava sem voz dentro dele mesmo. Masoquismamente amou sentir aquilo.
Ver-se depois de tanto tempo, foi como encontrar aquele álbum de fotos há muito esquecido dentro de uma gaveta, folhear foto por foto e consumir seu passado. Já sabia o que faltava pro futuro. Só lhe faltava FAZER!

E a historia que nem passou por nós direito ainda, pr'onde é que foi?