25/06/2008

Qui qui cê curte?

"-Qui qui cê curte?
-Ahn?
- De música, assim?"

Toda vez em que me deparo com essa pergunta ou algo parecido, sinto-me facear um dilema.Quero dizer, como é que eu vou definir meu gosto músical com poucas palavras? Eu gosto de tudo um pouco, de algumas músicas gosto mais, doutras, menos. Tem algumas que ouço só quando toca por aí, outras que sento na frente do computador e deixo tocando no player (aliás, lembrei-me agora de abri-lo...pronto! Kate Bush!) e tem aquelas que me lembram meus pais, algum amigo, alguma situação, sei lá, alguma coisa.
Então comecei a fazer uso do termo "Eclético", só que, depois de ter lido e rido piscinas daquela maldita comunidade, não consigo mais ler, falar, ou ouvir essa palavra sem vir a imagem do Roupa Nova a minha cabeça e minha total falta de personalidade, conhecimento e interesse em música. Óbvio que isto não é culpa do orkut, mas, covenhamos, é a verdade.
Daí eu comecei a lascar 'MPB' e me relançavam ou outra pergunta: "O que é isso?" ou "Ai, credo, música de fresco". A resposta da pergunta vai ao encontro da retórica sobre a afirmação: é Musíca POPULAR Brasileira, todavia o que possui de popular? E a minoria da população é fresca, logo, haveremos de convir...
Certo faz a Nova Brasil FM em colocar "Música Brasileira de Qualidade" em seu slogan, eliminando, assim, o termo 'popular', já que o popular eliminou a rádio faz tempo. Daí eu fiz o mesmo, prá quê!: "ah é, música brasileira? cê curte pagode tamém, mano?" ou " como assim? tem música brasilera que é de qualidade?".
Evidentemente, tive de usar mais palavras ainda pra definir meu gosto músical, e caí no mesmo problema de antes, e no mesmo nariz torcido e cara de "que pseudo-intelectual esse cara".
Tentei: "de tudo um pouco...", mas recebia um "mas o qui qui cê mais curte?", daí era obrigado a expor todo um rol de compositores, cantores e bandas, sempre injustiçando um deles pela falta de memória.
Porque, gente, eu curto mesmo muita coisa: clássica, funk, axé, samba, pagode, sertanejo, mpb, pop rock, lounge music, psy, rap, heavy metal, gospel, nipon rock etc. Aliás, eu não desgosto de nenhuma música na face da Terra (em um primeiro momento e sem muitas repetições, que fique claro), ou seja, eu não curto de tudo um pouco, mas de tudo tudo e o que eu não conheço também, já curto. Daí fica assim, já que a modinha é "não rotular".
_
"-Mas todas mesmo?
-Ahan
-Credo, que total falta de personalidade, conhecimento e interesse em música, véio.
- To ouvindo Kate Bush agora, pra você ver...
- Quê?
- Nada, você é muito eclético, não iria saber"
_

23/06/2008

Possibilidade

Vou contar-lhe do que gostei:
Gostei de ter observado-lhe na multidão, admirado-lhe de longe, de ter irritado-me com sua ipertinência de início, e de ter conseguido aproximar-me de você lentamente. Do jeito fofo que você sorri e faz comentários infantis, e do jeito fofo que você me segue ou fica perto de mim. Também gostei da sua raiva involuntária quando vieram flertar comigo, de suas ofensas juvenis a ela, de não gostar que eu desviasse o foco de você, conforme a ignorava .
Gosto das espinhas em seu rosto, e do modo que você não está nem aí pra elas, gosto também do que você fez com seu cabelo hoje, não quinta-feira. Da sua altura, das suas mãos, dos seus pés, tudo me chamou a atenção, tão rápido.
Mas, por favor, não confunda. Foi tudo fruto de uma observação imaginativa dum turrão carente. Foi tudo armação de possibilidades mentais. Na verdade, você nem sabe que eu existo direito, ou só me acha "da hora pra caramba". Só que eu quero mostrar-lhe o mundo, como é viver em dezenove. As possibilidades, as amizades, as pegações, e o jeito insipido que passamos pela vida das pessoas que nos encantam e encantamos
Logo você, que é encantável. Encante-me, por favor.

14/06/2008

Calor e Frio

"Redescobrir o valor de si próprio é algo muito lucrativo em determinados momentos da vida."

Gegório, ou Greg, era um quase adulto como qualquer outro. Aos dezoito considerava-se capaz de proezas melhores do que a de mais velhos ou novos. Tinha um talento ilustre para a música, e sabia que poderia ser melhor do que Chico ou Gil, pois, pra si, já era suficientemente bom e gozava de mais tempo para sua própria evolução. Ele só não falava nada disso pra ninguém, porque também sabia manter sua modéstia impecávelmente bem. Por pequenos atos ilustres depertava a admiração de qualquer pessoa.
E seguia sendo.
Sempre com a infalível tática de observar de início. Para alguns, precisava de cinco minutos, para outros, meia hora, para alguns, cinco dias, e pra pouquíssimos, a vida toda. Destes difíceis de se compreender, tornava-se amigo. De uma maneira admirável, diga-se de passagem. Greg era o tipo de amigo que apenas aconselhava quando requisitado, tornando-se , assim, muito cordial e respeitador com os problemas alheios. Além disso, tinha o costume de fazer as pessoas rirem com a piada certa, no tempo certo. De fazer as pessoas chorarem, com a palavra certa, o pequeno empurrãozinho para o pranto sempre era dele.
Por ser tão quente, Gregório era demasiado frio.
Pescava as situações que o cercavam de um modo superior e aterrorizante, em alguns casos. Demorava um tempo maior que a maioria dos seres-humanos para computar um sentimento qualquer. Se fosse pra achar graça de algo, relfetia sobre o teor cômico da piada, daí pensava se seria vantajoso para ele rir naquele momento, daí sim, soltava uma gargalhada em meio tom, boa de se escutar, além de mostrar seu belo sorriso muito convitativo. Agia da mesma forma quando era contrariado: pensava o porquê da afronta vinda de outra pessoa, e ponderava sobre sua certeza em defender a hipótese ou teoria contestada. Se lhe fosse útil mais tarde, calar-se-ia ou pediria desculpas, se não, fazia uso de sua impecável retórica poucas vezes vencida. Até pra chorar o rapaz possuia um retardo. Em despedidas, ofensas, mortes, músicas, demonstrações de afeto, delarações de amor etc; tudo era processado com seu calculísmo, repito, assustador, e se lhe valesse a pena, chorava de várias maneiras.
Seu choro era um show à parte. Conseguia soltar aquela lágrima no canto inferior do olho direito, perto do nariz, que escorria lentamente até a boca, então limpava com a mão e fazia uma cara de "que droga não quero chorar", amaceando assim o coração do causador de seu pranto. Greg só chorava pra valer, incontrolávelmente, quando algum de seus costumes fossem quebrados. Quando não provesse de tempo pra pensar em sua próxima ação, quando era jogado contra a parede, ou, a pior, quando engolia alguma palavra.
Ele até sentia a asperez pela garganta, descendo vagarozamente, quando quase no estômago, fazia uma transposição estranha ao coração. E chegava como uma bigorna, apertando-o e fazendo-o pesado. Com a mesma força que a palavra descia, a ânsia e um grito abafado apertando as amídalas subia. Espremia tanto, que fazia os olhos cerrarem, enxarcando-lhes. Pelos dois olhos, as lágrimas desciam por todo lugar possível. Avermelhava a face, trancava o nariz, soluçava , desmontava e, dando o ultimato de sua condição humana, esquentava-o.
Ficava tão quente quando chorava, tão frágil, de dezoito ia a dois meses. Precisando dos cuidados alheios, incapaz de fazer qualquer coisa por si só.
Pelos tempos seguintes, murmurava pelos cantos, mudava drásticamente de humor e ia paulatinamente soltando pedaços da palavra engolida. E se sentia péssimo por ter perecido a essa situação. Nesse ciclo, acontecia algo milagroso, era como se Greg precisasse sempre disso, de tempos em tempos. Ele redescobria o valor de si próprio, e percebia ser um negócio muito vantajoso. Melhorava por isso, e se achava, mais uma vez, alguem superior pelo domínio dos sentimentos e pelo descaso com que tratava os de qualquer outra pessoa na face da terra.
Greg é apaixonante.

02/06/2008

As seis pessoas...

...que lêem este blog, elegeram democraticamente a situação do leiaute.

Meros devaneios tolos: leia-o e indique-o.