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Mostrando postagens de 2013

Out do In

Entra no boteco suburbano, decorado com fotos P&B, bandeiras arco-íris e uma estátua do buda no canto do salão; passa pelas pessoas sentadas, perdidas entre doses de conhaque com limão, cervejas mais amargas que a média; entreolha os pares de all-stares, os moletons e os cachecóis xadrezes; sobe no pequeno palco usado vez ou outra para declamar poesias ao toque do violão; para e observa cada um dos presentes. Estes ao notarem a presença do rapaz cessam de assobiar bossa-nova. Ele estufa o peito de coragem e manda às favas as consequências, julgá-lo-iam  incessantemente depois disso, mas não importava. Quando a batida indie da jukebox termina de tocar ele aproveita o silêncio coletivo para fazer a revelação fatídica em alto e bom som:

- Meu CD preferido do Los Hermanos é o primeiro.

Deixa o bar sem o brio de olhar pra trás e fitar os olhares de indignação.

É fato?

Um universo, 
um pensar,
um modo de agir, 
um círculo de amizades 
e principalmente uma personalidade 
não se cria.

Se é.
Se absorve, se constrói.

O fato de se confirmar,
a si e aos outros,
não lhe faz mais dono de si.
Apenas se é se se age
não se se faz agir.

Falando de religião

Eu saio na hora do almoço da escola às quartas-feiras e, após resolver algumas coisas da vida, cheguei em casa como sempre na vontade de usar o computador. Minha irmã estava no meu quarto e meu notebook só se conecta á internet quando cabeado, então peguei o pc da minha mãe e fiquei na sala. 

Só estou descrevendo isso, porque é algo que NUNCA ocorre, não fico normalmente na sala  de casa às três da tarde. Foi quando tocou a campainha no melhor "tem um tempinho para Jesus?". Olhei pelo vidro da porta: dois daqueles rapazes de camisa branca e gravata que passam pelas ruas. Certa vez eles vieram em casa e conversaram com meu pai.

Eu sabia no que aquilo tudo ia dar, entretanto eu não era o mesmo daquele tempo... minha fé e meu conceito de religião já mudaram muito. Fui atendê-los.
Um era bem branco, alto, com um sotaque estrangeiro: americano ou inglês. O outro era mulato mas falava meio ressabiado de boca quase fechada... tentei identificar naquele momento de que país era, mas foi…

Antecipação da partida.

Junto com as chaves e a xícara de café, quiçá o último gosto amargo que sentiria naquele lugar, ele deixou alguns escritos. Para fazê-los sintetizou o que havia sido sua vida até agora. Escrevera as palavras no alto da frieza, mesmo estando com o coração dilacerado; ia embora naquele momento com um sentimento de derrota. Ele estava indo como um perdedor, porque por mais que tentasse as coisas não seriam nunca do jeito que ele imaginou.
Dentre os desabafos daquele papel estavam os motivos, a falta do diálogo talvez fosse o principal. "Por não tentarem me compreender, por não virem conversar comigo".

Olhava para o passado e percebia "Poxa, pela primeira vez na vida eu tô feliz de verdade. Vocês têm noção o que é ver as pessoas vivendo as coisas? Irmãos, amigos, primos.. e você sempre de lado? Conformado-se que ia viver sozinho? Que seu estado permanente é este, que nasceu para estar deslocado e usa isso como desculpa pra ser tão aheio às pessoas. Mas não é assim, nenhum ser…