20/11/2008

Contente contador:

Descontente, contento-me com a contenção. Não contes com a contagem de meus contos, apenas com os contornos contados aos quatro cantos!
Quem contou quantos contos contara? Conte-me! Contigo conto incontáveis descontentes, que não contentaram-se sequer com continhos de canto; contudo, comigo podes contar.
Consigo conta o contador descontente; contigo conto eu,  contido, contudo contentando-me com a contenção. Contento-me comigo: consequëncia de não conseguir. 
Tentei confraternizar meu conto consigo. Consigo comigo, não consigo. Quem consegue, é descontente, conseguir consignar conto a conto, não é conta que se conte! 
Ah! Contente contador, se consegues ser contente, consequência da incontagem, não conto-os, apenas conto os cantinhos de meus contos, sem fazer a conta, contraindo teu contado exemplo. 
Conto contigo! 

15/11/2008

Um Bolo

Tem a massa, o recheio e a cobertura.
A amadurecência, a adultidão e a desenvoltura; são a massa.
A inocência, a incosequëncia e o charme; são o recheio
A indecisão e o orgulho; são a cobertura.

Só a massa de um bolo é sem graça e seca.
Só o recheio do bolo é enjoativa e nauseante.
Só a cobertura de um bolo é sem-graça e irritante.



O bolo todo é a perfeita mistura, sem excessos, equilibrados, no sabor que apetece-me.
Espero o bolo vir a mim; pois na sua própria festa, quem o traz não é si próprio.

12/11/2008

Clamor padrão.


Uma tarde cheia, seca, perigosa...
As sobras da noite se fazem de prosa.
E o aborto de idéias desse meu dia,
banais e desordeiros: há poesia.

Minhas estrofes deitam os quatro versos,
a rima babaca e os papos inversos.
Molduras de quadros quadrados: retratos.
Calor da vida na pele sem o tato.

Psicólogo virtual: serve qualquer um,
pro paciente incurável de mal algum.
Deste desejo abortado ledamente,
o desejo sempre torna comumente.

Foram quatro estrofes bobas e vazias,
e a quinta transforma-lhes em vadias.
Vadios como nossos clamores em padrão,
liberdade, amor, fé e atenção!

E que a sexta se esprema!
Já perdi meu tesão.