16/05/2010

Condicionado

"    Era taciturna em seus comentários, além de sempre ter algo com o que contribuir. Definitivamente uma boa companhia: divertida na maior parte do tempo, conselheira quando devia ser. Isto é o que confundia.
   Pra conseguir encontrar algum superficialismo em toda aquela estrutura feminina necessitaria de muito empenho e olhar clínico. Ela traduzia em seu viver as principais características de uma mulher adulta da década de 10. Da nova década de 10, não daquela em que as mulheres morriam na tentativas de serem ouvidas. Na década em questão, morre quem não quer ouvir alguma delas. 
   Tinha um bom emprego, conseguido com honra devido aos seus conhecimentos bem aplicados e difundidos. Criara quatro filhos com muita disciplina e virtudes. Era feliz em seu casamento, também.
   Tudo estava bem com ela. Acordava e dormia exalando experiência de vida e de conhecimentos."

"  Mas..."

"  Não há 'mas'. Que mania de esperar o pior quando primeiro descrevem o melhor! Era humana e tinha defeitos. A vida de todo mundo é assim, não é? 
  Somos condicionados a pensar que no contexto expositivo, as características ruins superarão as boas. Não tem de ser assim, não necessariamente."