Pular para o conteúdo principal

Condicionado

"    Era taciturna em seus comentários, além de sempre ter algo com o que contribuir. Definitivamente uma boa companhia: divertida na maior parte do tempo, conselheira quando devia ser. Isto é o que confundia.
   Pra conseguir encontrar algum superficialismo em toda aquela estrutura feminina necessitaria de muito empenho e olhar clínico. Ela traduzia em seu viver as principais características de uma mulher adulta da década de 10. Da nova década de 10, não daquela em que as mulheres morriam na tentativas de serem ouvidas. Na década em questão, morre quem não quer ouvir alguma delas. 
   Tinha um bom emprego, conseguido com honra devido aos seus conhecimentos bem aplicados e difundidos. Criara quatro filhos com muita disciplina e virtudes. Era feliz em seu casamento, também.
   Tudo estava bem com ela. Acordava e dormia exalando experiência de vida e de conhecimentos."

"  Mas..."

"  Não há 'mas'. Que mania de esperar o pior quando primeiro descrevem o melhor! Era humana e tinha defeitos. A vida de todo mundo é assim, não é? 
  Somos condicionados a pensar que no contexto expositivo, as características ruins superarão as boas. Não tem de ser assim, não necessariamente." 

Comentários

Real, Marcelo. Real até de mais, pra mim.

As relações são feitas de erros e acertos, que assim como os humanos em seus defeitos e qualidades, só são bons quando as qualidades superam um ou outro (ou vários) defeitos.

Se cuide, meu irmão (:
Além de exímio cronista, tu és um sensível poeta e fala com alma...e muito sentimento. Gostei do seu espaço, caro Celo!

te sigo. abraço
Grato pela visita e retorno,

estarei sempre por aqui no teu espaço.

Apareça também, dividimos contatos!

se quiser pode me seguir também, abs
Lina. disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Lina. disse…
Muitos autores possuem a capacidade de conduzir leitores, mas apenas uma pequena parte deles consegue restaurar a pura leitura.

Postagens mais visitadas deste blog

O ano de viver perigosamente.

Vivere pericoloso é o que diriam os italianos, ou até um romance que conta um trecho da história da Indonésia. Foi por aí que me interessei em "Year of Living Dangerously" da "Scissor Sisters", uma de minhas bandas favoritas. Simplesmente porque ela descreve tudo o que 2013 deve ser de acordo com os meus planos. A letra fala por si.


  "Year Of Living Dangerously"
Tell me what does it mean to be faithful?      Diga-me o que quer dizer ter fé? Is a heart only made for beats?                   Um coração só foi feito para bater? Just another word for painful?                     Somente outra palavra para o sofrimento?
So I try to slow down, the brake’s broken.    Então eu tento ir mais lento, o freio quebrou. There’s no way to jump out of here,            Não há modo de pular fora daqui. All these conversations unspoken...             Todas essas conversas não ditas...
So I keep searching                                  Então eu continuo procurando For every…

OLHA

Nesse blog não relato coisas que "só acontecem comigo", mas tô disposto a escrever um troço aqui, e quem não curtir pode clicar naquele x vermelho lá. Porque o blog é meu (tá, agora ficou parecendo outra coisa), enfim:


 Tô aqui pra deixar claro que sou contra a censura, mas a favor do respeito, por isso mesmo digo: crianças, não paguem suas contas em dia.   Sério, o CEUNSP faz uns boletos mucholocos que contam fim de semana como dias úteis (Gente, eles encontraram utilidade no domingo! Isso é sacrilégio!), daí seu boleto sempre vence 1 ou 2 dias antes do quinto dia útil do resto do Brasil. De boas, tô até acostumado a pagar sempre atrasado. A questão é que meu pagamento caiu hoje, na mesma data de vencimento do boleto de setembro, e eu pensei em uma vez na vida ter a capacidade de não pagar juros e taxa de conta vencida. Fui lá, tirei a grana e fui à faculdade quitar minha dívida com a sociedade (ou ao menos, metade dela). O fato é que "não recebemos mensalidade antes do…

Falando de religião

Eu saio na hora do almoço da escola às quartas-feiras e, após resolver algumas coisas da vida, cheguei em casa como sempre na vontade de usar o computador. Minha irmã estava no meu quarto e meu notebook só se conecta á internet quando cabeado, então peguei o pc da minha mãe e fiquei na sala. 

Só estou descrevendo isso, porque é algo que NUNCA ocorre, não fico normalmente na sala  de casa às três da tarde. Foi quando tocou a campainha no melhor "tem um tempinho para Jesus?". Olhei pelo vidro da porta: dois daqueles rapazes de camisa branca e gravata que passam pelas ruas. Certa vez eles vieram em casa e conversaram com meu pai.

Eu sabia no que aquilo tudo ia dar, entretanto eu não era o mesmo daquele tempo... minha fé e meu conceito de religião já mudaram muito. Fui atendê-los.
Um era bem branco, alto, com um sotaque estrangeiro: americano ou inglês. O outro era mulato mas falava meio ressabiado de boca quase fechada... tentei identificar naquele momento de que país era, mas foi…