22/06/2010

Entrelinhas de uma Revanche.




Minha cor é a verde, não que eu assim seja, mas é a que eu elegi desde muito cedo. E também, desde criança, descobri que a dita coloração nomeia e representa o "sentimento (?)" da Esperança.


Não tenho medo de sofrer,
Eu não me importo em chorar.
Tudo que eu quero é viver
Um sonho lindo
 Conclusão: desde que me entendo apto a discriminar cores, vejo-me apto também a classificar-me como um ser de esperança. Incontestavelmente, sou assim e sou desses. Eis-me mais velho, então, deixando escapar por alguns minutos - desses que formam anos - esquecendo-me daquela que deixo tomar minha dianteira.

Com tanta gente nesse mundo
Alguém será meu bem querer
Porque não vou envelhecer
Triste e sozinho

 Até quando sou apto a realizar aquilo tudo que me propus? Por que a vida nos faz em essência diferente daquilo que almejamos? Não quero a esperança do amor conto de fadas, da perfeição e do silêncio da discordância. Quero o sofrimento da saudade, aliada a companhia dos defeitos: o respeito das mãos sobre a face e do beijo da cumplicidade.

Se a dor marcou seu coração
Outro amor vai te curar
Sai da solidão
Tem medo não
De novamente se entregar
Se caiu levanta desse chão
Viver é se arriscar
 Então, nessa etapa de um ciclo que se fecha e outro que se abre, chega o momento de desenhar minhas proposições futuras, não que minha vida seja minuciosamente calculada. O sofrimento é parte daquilo tudo que sonhamos pra nós. Inconscientemente desejamos passar por aquela fase de martírio, sentir-nos-emos mais dignos do objetivo. Isso é esperança: querer e gostar de sofrer até o fim. 

Quando ele chegar
Os sinos vão tocar
Os pés vão flutuar
A boca vai secar
A terra há de tremer
Os pássaros cantar o amor
 Os bons pensamentos e os bons desejos não partem de si, mas sim de entender que tudo conspira para que as coisas deem certo. E quando toda positividade convergir no ser, no ser você mesmo, toda a sorte de sinais será disparada. 

Pode vir do mar
Da terra ou do ar
Das asas do avião
Da mesa de um bar
Promessas de verão
Nos beijos de um beija-flor
 O verde, Marcelo, não está em você. Não é você. O verde é o mundo grandioso a sua volta, esperando que você cresça e  domine-o, mostrando-se completamente defeituoso e sofrível, exatamente do jeito que quer ver as pessoas. Descubra, a partir das pequenas situações, aquilo que você quer ver nos outros.
 Permita-se. 

3 comentários:

Marília Monteiro disse...

Esse texto é um grande passo amadurecido, meu querido irmão.

Você pode e deve. Permita-se e sofra. Permita-se e seja feliz mais que qualquer coisa. Permita-se viver, crescer, amadurecer e alegrar-se conscientemente.

Adorei o texto. Leve e cheio de pensamentos seus que exalam a exata fase da sua vida.

Viva!

Lina. disse...

Para toda a sua vitalidade, o meu apoio e, sobretudo, admiração.

Um abraço!

Ah, e sobre a sua experiência, quando quiser compartilhar, fique a vont's, pois serei todo ouvidos.

Celo Aglio disse...

brinks to tranks