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Um sentimento é um filho.


A um sentimento eu atribuo características humanas. Pelo menos aos meus sentimentos, não posso falar pelos outros.
Estou dizendo especificamente do amor em sua concepção, gestação e parto. Isso acontece o tempo todo, do mesmo modo que o tempo todo nasce gente no mundo. Não alcancei a marca dos 7 bilhões porque eu ando trabalhando - não sei por quanto tempo - com a linha de ser seletivo. Só que pessoas abandonam recém-nascidos todos os dias por aí, até alguém encontrar e dar o nome de Vitória; e é nessa metáfora que ando seguindo com os meus amores: eles nascem mas eu não pego pra criar. O preço do leite da liberdade tá caro. Ainda mais que uma coisa que tenho dificuldade é de sair da minha zona de conforto, daí vou abandonando vitórias até que sejam encontrados por outras pessoas por aí.
O caso é que esse sentimento/criança eu resolvi alimentar, deixar crescer. Tá na minha cara que vai dar trabalho, basta olhar por aí o quanto pais reclamam de criar os filhos. Eu tinha ignorado por um bom tempo essa vontade de levar adiante, mas me desestabilizei, confesso, por vontade própria.
O risco que você me faz correr é o maior em toda a minha vida. E me faz sentir vivo! Intensamente com uma corda bamba, é a sensação de adrenalina e pavor que uma mãe tem ao deixar seu filho adolescente sair de madrugada: "Será que chega? Será que tá bem, que tá vivo?" Isso é apavorante, eu sinto a cada dia que tudo pode ruir.
Depende de mim ou não continuar alimentando este amor, para ele chegar na fase adulta. O problema é saber se lá eu ainda serei reconhecido apenas como um pai.


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