20/01/2009

Entrelinhas de um criado mudo.

Eu acho que tenho certeza daquilo que eu quero agora; daquilo que mando embora;
daquilo que me demora.
Eu acho que tenho certeza daquilo que me conforma; daquilo que quero entender
e não acomodar com o que incomoda.
Não acomodar com o que incomoda,mas...
Acordava do mesmo jeito de sempre: feio, descabelado e sem um pingo de vontade de viver.
Vivia do mesmo jeito de sempre, também pudera, sua vida era completamente sem graça... Pra ele!
Descrevia-se na terceira pessoa, por achar bonito. Dizem que essa mania não passou ainda, não por enquanto. Era vago em suas palavras, pra não se denunciar, não se expor, não ter que dar satisfações.
Brigava constantemente com quem mais amava, amava constantemente quem mais brigava.
Chorava.
Sentava em frente uma máquina praticamente todos os dias da sua vida, o dia todo, aproveitando dela apenas as pessoas que faziam o mesmo.
Precisava de um banho frio, um espelho, uma surra do destino. Precisava de distância de casa.
Reencontrou a si mesmo. Via uma criança que deixou de lado seus brinquedos pra viver uma vida muito perigosa. Via que deixara sua melhor companhia pra trás.
Viu seu sonho dos onze anos. Tudo o que queria ser jogado ao léo, pois concluiu o melhor possível: desistir de um sonho não é deixar de lutá-lo, mas sim deixar de fazer o que está a seu alcance, paulatinamente, no empenho de realizá-lo.

E quando eu vou, é quando eu acho que: onde é que eu tô é pouco e tanto faz.
Seja o que for, seja o que surge e some.
Seja o que consome mais.
Seja o que consome mais.
Faz...

Num belo dia, decidiu fazer a maior loucura geográfica da vida dele, e foi. Viu o que precisava ser visto: si próprio.
Precisou reconhecer algo parecido com que se tornaria se não tivesse abandonado suas convicções no meio do caminho. Veio uma dor tão grande, porém não aquela que lateja. Era uma que gritava sem voz dentro dele mesmo. Masoquismamente amou sentir aquilo.
Ver-se depois de tanto tempo, foi como encontrar aquele álbum de fotos há muito esquecido dentro de uma gaveta, folhear foto por foto e consumir seu passado. Já sabia o que faltava pro futuro. Só lhe faltava FAZER!

E a historia que nem passou por nós direito ainda, pr'onde é que foi?

4 comentários:

Tiago Faller disse...

Simplesmente PERFEITO!

"A gente vai olhar pra trás e rir disso tudo ainda..."

Marília disse...

realmente, como tu me descreveu... Li alguém que dizia que o inferno estava nos outros, pois neles achamos nossos próprios erros, são espelhos; mas acredito também que o mesmo acontece com o 'paraíso', este que também se encontra no outro, do mesmo modo que o inferno.
Sei que aproveitou o máximo, e me alegro de ter conhecido o Marcelo.

Brito disse...

A coragem está em todos os nossos atos, sejam eles bons ou falhos.

Sempre penso em como sou e conheço-me tão pouco.

Adorei o texto, ;)

picnicterraqueo disse...

o texto tão bonito que eu nem consigo achar palavras pra comentar.

to shorand (':