Pular para o conteúdo principal

Pleno Quotidiano XV

Cena 4

( sala de aula, Marcos em evidência, figurantes entram e vão se sentando, simulando os alunos)


Marcos: - Olha só quem está aqui!
- Pivete!
Marcos: -Ê , gracinha! Sabe que eu me chamo Marcos.
- Sim , sei.
Marcos: - Mas e aí ? O que está achando?
- Uma merda. O povo daqui fede. Sabe quando você entra num lugar e pensa "Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui!?"
Marcos: -Entendi, vou pra lá...
- Espera brow. Não é contigo não.
Marcos: - Que doce está hoje...
- Posso ser mais doce que isso, você nem imagina.
Marcos: ( silêncio)
(ri) - Calma, rapaz. Estou zuando.
Marcos: - ha ...ha ha...( riso falso)
- Não precisa fingir pra mim.
Marcos: -Não to fingindo. Demorei a entender apenas.
(tempo)
- Diga , Marcos...
Marcos: - Oi!
- O que achou do povo dessa sala.
Marcos: - A maioria não tem metade do cérebro útil. Tem uns que pensam que tem, esses são piores.Prá lá (apontando) ficam os ricos e ratos de academia, pra cá (aponta pro lado oposto) os nerd's e os velhos.
- E nós no meio.
Marcos: -Talvez. Mas por puro acaso.
- Eu acho que você está no meio por opção.
Marcos: - Ah...
( é interrompido por uma voz de professor que começa a fazer chamada)
- Dizia?
Marcos: -Esquece...
- E as cocotas?
Marcos:- Quem? As minas?
- Isso, isso.
Marcos: - Tem umas gostosas, só que a maioria se encaixa na classe dos sem cérebros.Tem aquela lá, mais velha.Eu pegava.
- Que nojo!
Marcos: - Dá caldo...
Voz do professor:-MARCOS?
( os dois erguem o braço)
Ambos: Presente!
( Marcos olha assustado)
Professor: Calma, quem é Marcos Felipe?
Marcos: Eu.
Professor: Você é Marcos Paulo?
Paulo: -Sim, mas prefiro Paulo.
Marcos: -Seu nome é igual ao meu é?
Paulo: - É o que parece. Temos muito em comum. Não acha?
Marcos:- Sim...

(Fade out, B.O)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ano de viver perigosamente.

Vivere pericoloso é o que diriam os italianos, ou até um romance que conta um trecho da história da Indonésia. Foi por aí que me interessei em "Year of Living Dangerously" da "Scissor Sisters", uma de minhas bandas favoritas. Simplesmente porque ela descreve tudo o que 2013 deve ser de acordo com os meus planos. A letra fala por si.


  "Year Of Living Dangerously"
Tell me what does it mean to be faithful?      Diga-me o que quer dizer ter fé? Is a heart only made for beats?                   Um coração só foi feito para bater? Just another word for painful?                     Somente outra palavra para o sofrimento?
So I try to slow down, the brake’s broken.    Então eu tento ir mais lento, o freio quebrou. There’s no way to jump out of here,            Não há modo de pular fora daqui. All these conversations unspoken...             Todas essas conversas não ditas...
So I keep searching                                  Então eu continuo procurando For every…

Falando de religião

Eu saio na hora do almoço da escola às quartas-feiras e, após resolver algumas coisas da vida, cheguei em casa como sempre na vontade de usar o computador. Minha irmã estava no meu quarto e meu notebook só se conecta á internet quando cabeado, então peguei o pc da minha mãe e fiquei na sala. 

Só estou descrevendo isso, porque é algo que NUNCA ocorre, não fico normalmente na sala  de casa às três da tarde. Foi quando tocou a campainha no melhor "tem um tempinho para Jesus?". Olhei pelo vidro da porta: dois daqueles rapazes de camisa branca e gravata que passam pelas ruas. Certa vez eles vieram em casa e conversaram com meu pai.

Eu sabia no que aquilo tudo ia dar, entretanto eu não era o mesmo daquele tempo... minha fé e meu conceito de religião já mudaram muito. Fui atendê-los.
Um era bem branco, alto, com um sotaque estrangeiro: americano ou inglês. O outro era mulato mas falava meio ressabiado de boca quase fechada... tentei identificar naquele momento de que país era, mas foi…

Out do In

Entra no boteco suburbano, decorado com fotos P&B, bandeiras arco-íris e uma estátua do buda no canto do salão; passa pelas pessoas sentadas, perdidas entre doses de conhaque com limão, cervejas mais amargas que a média; entreolha os pares de all-stares, os moletons e os cachecóis xadrezes; sobe no pequeno palco usado vez ou outra para declamar poesias ao toque do violão; para e observa cada um dos presentes. Estes ao notarem a presença do rapaz cessam de assobiar bossa-nova. Ele estufa o peito de coragem e manda às favas as consequências, julgá-lo-iam  incessantemente depois disso, mas não importava. Quando a batida indie da jukebox termina de tocar ele aproveita o silêncio coletivo para fazer a revelação fatídica em alto e bom som:

- Meu CD preferido do Los Hermanos é o primeiro.

Deixa o bar sem o brio de olhar pra trás e fitar os olhares de indignação.