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Pleno Quotidiano XVI

Cena 16

(quarto de Carina, ela está sobre a cama encolhida lendo a revista.)

(batem na porta)

Marcos: (de fora) - Cá, abre aqui!
Carina: - Má? O que foi?
Marcos: - Abre logo.
( Carina levanta-se e abre a porta)
Carina: - O que...
Marcos ( abraça-a chorando) -Carina, não me abandone nunca , por favor!
Carina:(tempo) - A Gabriella descobriu?
Marcos: - Foi
Carina: - Ela viu alguma coisa?
Marcos: -Não...Por sorte ela só ouviu que eu tinha feito.
Carina: - Ela sabe que você...
Marcos:(interrompendo) - Por favor, não complete essa frase.
Carina: - E o que mais?
Marcos: - Dá pra ver que tem algo a mais?
Carina: - Dá sim.
Marcos: - Adivinha.
Carina: - (pausa)Não vai andar mais de fusca?
Marcos: - Exato. Além de ter me dado um "pé", vai embora depois de amanhã.
Carina:(silêncio)
Marcos: (chora baixo)
Carina:- Você...tá...amando?
Marcos: - Já não sei mais. Depois de tudo que me falaram, não sei se amo. O que é o amor , não sei!
Carina: - Não sabe é?
Marcos: - Definitivamente, não sei. Entendi de uma vez que não posso mudar as pessoas, e tenho que aceitá-las; entendi que não se fala "eu te amo" como se fosse obrigação. Só não entendi uma coisa: o que eu fiz pra merecer tudo isso.
Carina: Você não sabe se ama?
Marcos: - Não sei.
Carina: - Nem a mim ?
Marcos: ( longa pausa) - Você...
Carina: - Olha essa revista, olha essa capa, olha essa frase.
Marcos: (pausa) - Os nossos quotidianos são comuns.
Carina: - São. Sempre foram.
Marcos: -Por que não, mais próximos ?
Carina: -( longa pausa) De uns tempos... Ah... Nada.
Marcos: Fala
Carina: - Não há um porquê.
Marcos: - Fala , pelo amor de Deus!

(começam a perambular pelo quarto sem se encararem diretamente)

Carina: - Eu...ultimamente. Eu quero...
Marcos: - O que eu sempre quis, mas nunca percebi.
Carina: - E a amizade?
Marcos: - Nunca foi amizade. Você se dedicou mais a mim do que a você.
Carina: - Eu sempre quis...te conhecer, te entender. Eu me viciei.
Marcos: -Eu não te amo.
Carina: - Eu também não te amo.
Marcos: -Eu quero ser normal.
Carina: - Eu quero você.
Marcos: - Por quê?
Carina: - Eu quero você porque eu quero a mim.
Marcos: - Sua salvação sou eu?
Carina: - Não você. Mas o que você representa pra mim nesse momento.
Marcos: - Você não me admira.
Carina: - Não. Eu admiro o que você conseguiu fazer comigo. Você me fez admirar alguém. Assim eu fui acorrentada ao seu calcanhar.
Marcos: - Então, se nos pegarmos agora, essa dúvida estará esclarecida?
Carina: - Provavelmente.(pausa) E pra você, no que vai ajudar?
Marcos: -Pela primeira vez, vou ficar com alguém e não vou dizer que amo em seguida.
Carina: - Isso não basta.
Marcos: -Eu sinto tesão em você.
Carina:- Eu também...Eu também sinto tesão em mim.
Marcos: - Seu hobby lhe tornou letal pra mim. Você me conhece mais do que eu mesmo.
Carina: - Repito. Tive que te conhecer. Minha vida tinha perdido sentido.
Marcos: - A coisa que eu mais quero nesse momento é transar com você.

(longa pausa)

Carina: - E o que mais?

(pausa maior ainda)


Marcos:- O mocinho nunca fica com a melhor amiga no final.


( maior pausa da peça)


Marcos:- Tchau, Carina.
Carina: - Tchau, me liga quando estiver melhor.
(sai)

(B.O)
(PANO)

Comentários

Tiago Faller disse…
HOHO! CurTih a lot, menine!

Espero pelo PDF!!

Mas... Por que você só pensa em sexo, garote? Rsrs!
Harlequin'Aglio disse…
Eu não. Quem pensa é o Marcos, esse pooto.

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