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Antecipação da partida.

Junto com as chaves e a xícara de café, quiçá o último gosto amargo que sentiria naquele lugar, ele deixou alguns escritos. Para fazê-los sintetizou o que havia sido sua vida até agora. Escrevera as palavras no alto da frieza, mesmo estando com o coração dilacerado; ia embora naquele momento com um sentimento de derrota. Ele estava indo como um perdedor, porque por mais que tentasse as coisas não seriam nunca do jeito que ele imaginou. Dentre os desabafos daquele papel estavam os motivos, a falta do diálogo talvez fosse o principal. "Por não tentarem me compreender, por não virem conversar comigo". Olhava para o passado e percebia "Poxa, pela primeira vez na vida eu tô feliz de verdade. Vocês têm noção o que é ver as pessoas vivendo as coisas? Irmãos, amigos, primos.. e você sempre de lado? Conformado-se que ia viver sozinho? Que seu estado permanente é este, que nasceu para estar deslocado e usa isso como desculpa pra ser tão aheio às pessoas. Mas não é assim, ne...

O ano de viver perigosamente.

Vivere pericoloso é o que diriam os italianos, ou até um romance que conta um trecho da história da Indonésia. Foi por aí que me interessei em "Year of Living Dangerously" da "Scissor Sisters", uma de minhas bandas favoritas. Simplesmente porque ela descreve tudo o que 2013 deve ser de acordo com os meus planos. A letra fala por si.   "Year Of Living Dangerously" Tell me what does it mean to be faithful?      Diga-me o que quer dizer ter fé? Is a heart only made for beats?                   Um coração só foi feito para bater? Just another word for painful?                     Somente outra palavra para o sofrimento? So I try to slow down, the brake’s broken.    Então eu tento ir mais lento, o freio quebrou. There’s no way to jump out of here,            Não há modo de pular fora daqui. All these conversations uns...

Um sentimento é um filho.

A um sentimento eu atribuo características humanas. Pelo menos aos meus sentimentos, não posso falar pelos outros. Estou dizendo especificamente do amor em sua concepção, gestação e parto. Isso acontece o tempo todo, do mesmo modo que o tempo todo nasce gente no mundo. Não alcancei a marca dos 7 bilhões porque eu ando trabalhando - não sei por quanto tempo - com a linha de ser seletivo. Só que pessoas abandonam recém-nascidos todos os dias por aí, até alguém encontrar e dar o nome de Vitória; e é nessa metáfora que ando seguindo com os meus amores: eles nascem mas eu não pego pra criar. O preço do leite da liberdade tá caro. Ainda mais que uma coisa que tenho dificuldade é de sair da minha zona de conforto, daí vou abandonando vitórias até que sejam encontrados por outras pessoas por aí. O caso é que esse sentimento/criança eu resolvi alimentar, deixar crescer. Tá na minha cara que vai dar trabalho, basta olhar por aí o quanto pais reclamam de criar os filhos. Eu tinha ignora...

Adeus ano velho.

Já podem encerrar 2012. É verdade... eu deixo de cortesia esses 10, 15 dias que faltam. Foram tantos acontecimentos emblemáticos que tá me deixando até com preguiça me preparar para outros.  Tudo vem para selar, tudo vem para colocar um carimbo de "taí algo que comprove" E esse ano foi assim: eu me apaixonei e desapaixonei, mais de uma vez por mais de uma pessoa; fui tentado, subjugado a agir contra meus princípios e só não cedi por estar muito feliz com o lugar que já cheguei; hoje mesmo quase joguei tudo pro alto em nome de arriscar algo que claramente não traria futuro; fiz amizades, das mais variadas, pessoas que significam coisas opostas para mim: gente que chegou para me mostrar outras perspectivas no profissional, bem como os que surgiram para me mostrar o que é a vida sentimental; presenciei muitas cenas, fiz parte de uma plateia bem seleta, com o prazer de ver o autoconhecimento surgir e perceber como lidam com isso; adquiri novas vontades; consolidei novos e velh...

TILT!

Desta vez não tem alegorias nem prosopopeias. E olha que nunca ousei tomar semelhante atitude em meus textos. Eu quero escrever como eu mesmo, sem personagens, sem enredo, tempo ou espaço. Eu quero me derramar em palavras como se fosse esta a única solução para amenizar a angústia; como se em mim escrevendo e vocês lendo estivesse a resposta. Explicar tão bem o que eu sinto e o que eu preciso que eu sentisse em meu coração uma mão puxando aquelas ervas-daninhas que brotam do cimento nas calçadas, do tipo que a gente puxa e fica surpreso com o tanto de raiz que tinha por debaixo da terra.  Precisaria que cada palavra traduzisse o mais ínfimo do meu ser à medida que restabelecesse a ordem nas coisas aqui dentro. Eu nem sei se isso é bom, não faço ideia se o texto vai ser bem feito ou agradável. Ele precisa fluir pelos meus dedos tocando o teclado como sempre foi.  Um dos melhores conselhos que eu já recebi foi o de deixar de ser tão arredio, permitir que as pess...

Pão, pão; queijo, queijo.

- Então é isso, Celina? É pão, pão; queijo, queijo?... Eu bem vejo como você é determinada, como é cheia de preceitos e, sabe, isso é bonito de ver, Celina. Gente assim tá em falta no mundo, de verdade. Gente que sai, que escuta os outros, que pensa sobre as atitudes e que depois não arreda pé daquilo que determina. Eu não, Celina,  eu sou um bundão. Todos os dias eu saio por aí tentando colecionar afetos depois que você me deixou. Não é que eu esteja te culpando, Celina, logo você que é tão compreensível. Eu só saía por aí tentando ser uma daquelas pessoas que conquista todo mundo com um sorriso, uma palavra doce, igualzinho a você. Eu queria ser você. Só que não adianta, não é verdade, Celina? Não adianta a gente querer mudar o que é de verdade, além de bundão, eu sou um turrão. Só me compram depois que lêem da página dois pra lá; contigo não, você é tão cheia de si, tão dona do sorriso mais sincero que eu já vi. Na verdade eu queria você pra ser um pouco como você. Eita menina d...

Devir.

      Sabe, eu lutei muito pra chegar até aqui. De verdade... talvez a maior batalha que eu travei tenha sido contra mim mesmo, para controlar os meus impulsos de chutar o balde que surgem de vez em quando. E eu consegui no meio deste processo todo uma coisa que eu pensei que demoraria muito mais para conseguir. Algo que chegou de um modo que eu nunca imaginaria. Eu consegui a minha liberdade, e confesso confuso e desapontado: eu não sei o que fazer com ela.        Flagrar-se depois de viver certas situações tendo que lidar com os mesmos problemas velhos, as mesmas dificuldades de sempre e estar simplesmente cansado disso tudo. E não é problema com trabalho, com pai, com mãe ou com vontades; são as persistentes batalhas contra si mesmo. Eu luto muito contra mim: luto para ser uma pessoa mais organizada. E não tô falando de bagunça de objetos, porque por incrível que pareça, neste quesito eu ainda me dou bem. A minha desordem é de ordem interior. ...

Hierarquia de sentimentos

Às vezes eu me pergunto se dentro dos sentimentos existe uma certa hierarquia. Algo como uma escala, que mensura qual tipo de sensação lhe fará sofrer mais e menos. O que é besteira da minha parte, porque nem tudo cabe padronizar.  É aí que eu entendo o conceito de subjetividade. É quando você compreende o que é sofrer tanto que parece que não cabe mais dor dentro de você, mesmo que fisicamente não exista um arranhão. O choro é como se fosse um túnel estreito por onde se dá vazão às melancolias confinadas a sete chaves dentro do peito. Quanto mais velhos ficamos, mais aprendemos a domar estas dores. Constrói-se uma dura parede em volta daquilo que já enjoamos de sofrer. Gasta-se muito esforço, pra tentar viver sem tentar se preocupar. Mas basta um pequeno empurrão, um gatilho oculto, uma coisa que vem de onde e de quem menos se espera e que faz com que tudo aquilo guardado volte à tona e que você sofra com coisas que não faz mais sentido sofrer e chore pra compensar tudo aqu...

O mundo sou eu.

     As pessoas me perguntam se eu quero mudar o mundo. Acho isso bobagem, ao menos no meu caso, visto que se eu quisesse mudar o mundo de verdade, eu começaria por mim. Daria um jeito nessa minha falta completa de organização e tentaria controlar a tempestade de ideias e de impulsos que me inquieta, a minha incapacidade em estruturar uma rotina pacífica e controlável seria extinguida. Mas isso não acontece. A despeito dos conselhos que me deram  e que ainda vêm me dando, algo dentro de mim precisa lutar contra a vontade de facilitar as coisas na vida. Aliás, este substantivo só ganha sentido e condição quando lhe pareio aos desafios; viver vem sendo atrasar minhas decepções, para me sentir importante.     Pelo sentimento de que há algo ainda a terminar, que não adianta descansar porque ainda está pra chegar o mais difícil, que as pessoas estão me julgando, que eu falharei miseravelmente no que me propus a fazer, que não posso decepcionar quem depositou ...

Cômodo.

Não haverá regras muito menos organização para esta caminhada. Na simplicidade: deixar ser. Deixo-me ser, deixe-me ser, deixem-me, seres. Não padeço do pecado de querer as coisas pela metade. Condenado por não me esforçar a metade do que deveria. Disfarço que me importo. Uma prateleira cheia de livros inacabados, outros nem começados. Vou morrer sem terminar o que me propus a viver.

Influências Térmicas.

"(...) A única finalidade da vida é mais vida. Se me perguntarem o que é essa vida, eu lhes direi que é mais liberdade e mais felicidade. São vagos os termos. Mas, nem por isso eles deixam de ter sentido para cada um de nós. À medida que formos mais livres, que abrangermos em nosso coração e em nossa inteligência mais coisas, que ganharmos critérios mais finos de compreensão, nessa medida nos sentiremos maiores e mais felizes. A finalidade da educação se confunde com a finalidade da vida." Anísio Teixeira.       Apesar de transparecer afetuoso e impulsivo em extremo, é com singular frieza que encaro os acontecimentos da minha vida. A gente é feito todo de influências e nada mais do que isso. Já que o conhecimento é cumulativo, é de sua constante apreensão que construímos a estrutura da nossa existência.       O que se passa, é o tanto das ditas influências que venho recebido ultimamente. Poderia resumir a minha vida toda no último mês. Sem demago...

Na verdade, não preciso dizer nada.

      A profundidade do seu olhar encontrando o meu, enquanto os casos e as besteiras eram -- e talvez ainda sejam -- jogados ao relento. Esse olhar que fez do meu um mero receptor. Meus olhos feito plateia que saúda o artista presente, o qual é capaz das maiores peripécias para surpreender-nos.Fitando me bem no fundo de uma alma cuja existência vinha sendo ignorada há um bom tempo, falando de umas coisas que eu nem sei bem se devo acreditar.       Deixei escapar as coisas em comum, por valorizar em demasia os segredos. Daqui a pouco, o tempo vai parar de se arrastar e me dá medo, que medo. Lembrarei eternamente de, em cada riso teu, qualquer bandeira. O engano foi me limitar a te ganhar ou perder. 

Professar

Caso algum de vocês ainda não saiba, sim, sou professor. Não há o que considerar publicamente (ou no blog) por enquanto, então, só vou deixar meu discurso de formatura, o qual acreditei ser... interessante. Senhoras e Senhores, boa noite. Quando desejei ser o orador de minha e de outras turmas da faculdade de educação, comecei a refletir sobre o que de fato significa discursar a vocês num momento deste. Mais do que uma solenidade, acredito que para a maioria de nós, esta formatura seja algo como um... Descarrego. Não que tenhamos passado por um martírio ou tortura durante estes anos de formação, não também, que neste momento estejamos completamente absolvidos da necessidade constante de se dedicar com afinco ao estudo e à expansão de conhecimento. Este alívio pelo qual passamos, vem em grande parte dos nossos sentimentos mais intrínsecos e de nossos sonhos mais absurdos.          E o que tem de absurdo sonhar? Ora... Seria hipocrisia dizer do al...

Quando se quer, se faz.

Quando do conforto da solidão se é retirado, em meio a traumas e desesperos, o encontro. Pontes com o passado, conversas risonhas... Lá estava ao lado, portando timidez estática. Pensar e agir: flertar.  Como se quis, como se fez. Arrepios. Carona, conversa, descoberta. Contatos. Quando no dia seguinte há ansiedade,  Mensagens exteriorizam-se pelos elogios e atenção. Conversas paralelas à rotina. Pensamentos idem. Daqueles que vêm, ocupam e permanecem.  O desejo incontrolável de se ver de novo. Como se quis, como se fez. Carinhos. Conhecer, conversar, comparar. Semelhanças. Quando se segue esperando o novo, não se enxerga o outro lado do sentir. Continuou-se a ir, à gostar a sempre querer. Do modo mais infantil e eficiente, gostar. A alegria de se sentir completo, enfim. Como se quis, como se fez. Encontros. Encontrar, beijar, falar. Gostar. Quando se é perfeito demais,  a ponto de perder a emoção, Depara-se com o receio de viver assim. Um dos lados fincou os pés...

Eu não quero escrever.

Momentaneamente, nada definido, nenhuma decisão radical tomada. É que por agora, somente por esses dias ou esse biênio, perdi a vontade de registrar o que sou e a continuidade disso. Não significa que tenha criado antipatia pela tinta e o papel, ou o teclado e o monitor. É um daqueles problemas com antes, durante e depois. O antes que nunca é planejado, rascunhado, feito em moldes: jamais me preparo pra isso e perco o respeito pela atitude. Não faço digestão de assuntos ou determino utopias para palavras; O durante é o tempo e o espaço em que me encontro. Físico ou psicológico - o ato da escrita é daqueles em que um templo deve ser estabelecido e utilizado. Entretanto, sou pagão das letras, pois qualquer canto de qualquer maneira, a qualquer hora - sacra ou não - serve pro regurgito das minhas besteiras. Nenhum rito é cumprido, nem nenhuma bolha é inflada, do mundo externo não estou protegido ou refugiado.  O depois é a vergonha das experiências registradas, o tédio ...

Retro Dia das Crianças - Earthbound

Não, ninguém aqui entrou num blog de games por engano. É o seguinte: eu acompanho o blog Gagá Games  porque uma das coisas que formou meu caráter e personalidade é o fato de eu jogar video-games desde os 3 anos, incentivado pelo meu pai, inclusive.  Então foi lançado um meme do blog GLStoque  que consiste no seguinte:   I ndique um retrogame que seja bom para a garotada jogar no dia 12 de outubro! Pode ser uma boa introdução ao mundo retrô, ou apenas um jogo divertido para a criançada de um modo geral.   Passei dois dias da data, mas pra mim não importa. Eu achei a iniciativa bacana porque é  uma forma perfeita de eu mostrar esse meu lado gamístico aqui no blog, afinal de contas eu me mostro de tanto jeito por aqui... O jogo que trarei, portanto, foi um que fez com que eu me apaixonasse pelos RPG's de verdade, pelo espírito aventureiro, o enredo e as falas.  Earthbound Lançado para o Super Nintendo em 1994, esse jogo possui no japão o n...

O que se passa mesmo?

 Essas páginas em branco não sabem o poder que têm. Quem outrora mal podia se controlar com seus segredos e angústias, agora esta defronte de algumas questões antes veladas e venenosas.   É válvula de escape: aumentar o ressentimento até colocá-lo do tamanho de si, e sair andando com ele por aí, destilando conceitos retrógrados e convenientes. Acontece que agora as coisas não são mais assim. O pobre ser falsário revelou-se por conta, quem convive sabe disso, e não há mais desculpas para manter bem atadas as amarras que serviam como estopim ao desequilíbrio. Portanto, não se vive mais encostado em mentiras. Preciso colocar em ordem o meu discurso contra a vida*     Tudo isso é fruto de uma palavra: o egoísmo. Pode ser  fruto de outras também, mas é sobre ela que deve ser projetada a luz de cena, com a finalidade de se obter algum sucesso nas teorias sobre a vida. É um tipo especial de centralização no ego, esse que faz com que o vivente em questã...

Pontos de vista.

Eu perco o sono e choro, Sei que quase desespero, Mas não sei por quê. A noite é muito longa, Eu sou capaz de certas coisas Que eu não quis fazer. Será que alguma coisa, Nisso tudo, faz sentido? A vida é sempre um risco, Eu tenho medo. Lágrimas e chuva Molham o vidro da janela, Mas ninguém me vê. O mundo é muito injusto, Eu dou plantão nos meus problemas Que eu quero esquecer. Será que existe alguém, Ou algum motivo importante, Que justifique a vida, Ou pelo menos este instante? Eu vou contando as horas, E fico ouvindo passos. Quem sabe o fim da história De mil e uma noites De suspense no meu quarto Será que existe alguém no mundo? Kid Abelha - Lágrimas e Chuva Bruno Fortunato, Leoni e George Israel - Composição Ver-me, ver a poesia e deixar que me vejam. É o que tem pra hoje e adiante.

Relevo - 02

A convite de Daniel Zanella, tive uma de minhas crônicas - da qual, confesso nem mais lembrar - publicada na segunda edição do Periódico de nome Relevo. Em conjunto com outros peregrinos literários da rede, o compilado traz um fino trato das Crônicas cotidianas.  Evitando delongas: Sem nem saber direito como, agradeço.

OLHA

 Nesse blog não relato coisas que " só acontecem comigo ", mas tô disposto a escrever um troço aqui, e quem não curtir pode clicar naquele x vermelho lá. P orque o blog é meu (tá, agora ficou parecendo outra coisa ), enfim:  Tô aqui pra deixar claro que sou contra a censura, mas a favor do respeito , por isso mesmo digo: crianças, não paguem suas contas em dia.   Sério, o CEUNSP faz uns boletos mucholocos que contam fim de semana como dias úteis (Gente, eles encontraram utilidade no domingo! Isso é sacrilégio!), daí seu boleto sempre vence 1 ou 2 dias antes do quinto dia útil do resto do Brasil. De boas, tô até acostumado a pagar sempre atrasado. A questão é que meu pagamento caiu hoje, na mesma data de vencimento do boleto de setembro, e eu pensei em uma vez na vida ter a capacidade de não pagar juros e taxa de conta vencida. Fui lá, tirei a grana e fui à faculdade quitar minha dívida com a sociedade (ou ao menos, metade dela). O fato é que "não recebemos mensa...